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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

TEXTOS DE OUTROS PADRES

POBRES NO ESPÍRITO
   As "bem aventuranças" no início do Sermão da Montanha, são o ensinamento de Jesus sobre a felicidade. A primeira palavra e a oitava bem-aventuranças dão a chave para compreender todas as outras: felizes são pobres de em espírito (que melhor se traduz como "pobres no espírito"); felizes são os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino do céu. Felicidade, para Jesus, é já estar na dinâmica do reinado de Deus.
   Num que identifica a felicidade com riquezas, cargos e títulos, soam desconcertantes as palavras de Jesus, que proclama felizes os perseguidos por buscarem a justiça de Deus; que proclama felizes os que vivem na simplicidade e na pobreza, guiados apenas pelo Espírito Divino.
   É que, deixando guiar pelo Espírito de Deus, os pobres entram na mesma missão de Jesus, vivendo e ensinando, a exemplo do mestre, a solidariedade nas relações, ainda que isso venha acompanhado de perseguições e calúnias.
   Para os que se afligem por buscar a justiça divina, para estes vem a consolação, que não tem nada ver com conformismo. A consolação é a força de Deus que anima a continuar na missão. E a força de Deus se mostra na certeza de que a terra será dos mansos, dos que não são dominados pelo desejo de poder, riquezas ou violência.
   Nesse mundo diferente do Reino, que começa a viver já aqui, o desejo que conta é d de justiça, e o caminho para a justiça de Deus está na misericórdia, na pureza de coração e na promoção da paz.
   O reinado de Deus, de fato já se iniciou neste mundo com a missão de Jesus. Felizes são os que já pertencem a esse reino, com um modo diferente de agir e pensar. Vivendo relações de fraternidade, sendo solidários com os sofredores, buscando quem está excluído aproximando-nos de quem é descartado como lixo, podemos já experimentar o reinado de Deus, que um dia será pleno. Então o Senhor da vida, com sua graça, tornará plena e eterna a felicidade que aqui tivermos vivido, como pobres que deixam guiar por seu Espírito.
   Que todos os santos que hoje celebramos, intercedam a Deus por nós, para que nossa felicidade seja com a deles.
   Padre Paulo Bazaglia

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

TESTEMUNHAR O EVANGELHO COM ALEGRIA
  A campanha Missionária do mês de outubro é um incentivo para a cooperação com a missão de Deus em todo o mundo. Motivados pelo tema: "A alegria do evangelho para uma igreja com saída", juntos queremos viver em estado permanente de missão. O papa Francisco nos anima: "Não deixemos que nos roubem a alegria do evangelho" (EG 83).
  Neste dia mundial das missões, a Sagrada Escritura nos sugere "dar a Deus o que é de Deus" (Mt 22,21). Qual parte pertencente a Deus ainda não estamos lhe dando? Será dar a nós mesmos? "Na doação, a vida se fortalece; e se enfraquece no comodismo e no isolamento" (EG 10). Deus, na realidade, não necessita de nosso dinheiro, ele quer nossa parceria para cooperarmos em sua obra de salvação. Tomar a iniciativa e sair de si para encontrar e servir as pessoas pode ser uma forma sublime de cooperação missionária.
  Além desse apelo a doar-se pela causa missionária, há outras formas de cooperação, como a oração e oferta em favor da evangelização dos povos. O Papa Pio XII, tendo presentes as grandes necessidades universais, instituiu em 1926, o dia mundial das missões. A coleta de hoje destina-se de forma integral, à cooperação missionária, sobretudo em regiões do planeta que mais necessitam. Quem coopera com o projeto de Deus em espírito de partilha já vive a experiência das bem-aventuranças.
  Impulsionar, pois, as Igrejas no Brasil para a animação e cooperação missionária num dinamismo de saída, testemunhando a alegria do evangelho no compromisso "as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angustias dos homens e mulheres de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem" (GS 1), é a intenção primordial desta Campanha Missionária.
   Que as graças advindas das comemorações dos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida façam crescer ainda mais a paixão pela causa missionária e alegria evangélica de fazer tudo o que Jesus disser ( cf. Jo 2,5).
     Padre Maurício da Silva Jardim
Diretor das Pontifícias Obras Missionárias no Brasil

TEXTO DE OUTRO PADRE

ROUPA DE FESTA
   Na parábola de Jesus, Deus envia seus servos para convidar à Festa da Aliança, que é o casamento de seu Filho com a humanidade.
   Profetas e apóstolos vieram da parte de Deus, mas foram ignorados por aqueles que já estavam ocupados com seus afazeres. Mais que ignorados foram maltratados e mortos. Aliás, a história de Jesus, ao falar do rei que incendeia a cidade, aponta para a responsabilidade das autoridades judaicas pela ruína de Jerusalém, no ano 70.
   Os convidados se mostram indignos da Aliança feita no êxodo com Moisés. Foram infiéis à sua parte no acordo: não reconheceram o senhorio de Deus e não conseguiram criar uma sociedade justa e fraterna. Além disso, não reconhecem Jesus o Messias enviado para renovar a Aliança.
  Deus, porém, nunca abandou a Aliança com a humanidade. Com Jesus, Deus renovou este pacto, estendendo o convite a todos os que estavam nas encruzilhadas do mundo, maus ou bons, pecadores e não judeus. Hoje todos somos convidados à Festa da Aliança. 
   Mas não se veste de qualquer jeito quem vai a um festa de casamento. Vai com roupa especial, de festa. Mateus é o evangelho da justiça ao reino de Deus, a roupa que faltava ao homem da parábola era exatamente a prática da justiça. Somente com a prática da justiça é possível praticar da alegria do banquete.
   As comunidades que seguem Jesus não são formadas por gente perfeita. Somos todos imperfeitos, mas convidados a transformar o mundo segundo aquilo que o Mestre ensinou. Contudo, sem prática da justiça do Reino, isto é, sem a justiça que cria relações de solidariedade e fraternidade, não existe felicidade a celebrar o banquete da Aliança, que é o banquete de todos, e não apenas de um seleto grupo de felizardos.
   E se Deus nos convida a todos, é sempre tempo de preparar a própria roupa de festa para o banquete do Filho. Uma roupa que não se encomenda a alfaiate ou costureira, mas preparada com as próprias ações, com prática da justiça ensinada pelo Mestre. É esta roupa, afinal, que vestiremos pela eternidade.
        Padre Paulo Bazaglia

sábado, 14 de outubro de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

CAMINHO DE JUSTIÇA
   Ao chegar a Jerusalém, Jesus vai ao templo e de lá expulsa os comerciantes. Em seguida, no próprio templo, cura os cegos e coxos, mostrando assim sua religião de seu templo, em vez de ajudar as pessoas a se aproximarem de Deus e a criar fraternidade, havia se tornado em exploração dos mais pobres e sofredores. Era uma figueira que não produzia mais frutos.
   A parábola dos dois filhos fala da vinha, que representa o povo de Deus. Jesus acusa as lideranças do seu templo (sacerdotes e anciãos) de não fazerem a vontade do Pai, o dono da vinha. Elas não trabalham para que a vinha produza frutos. Falam e não fazem. Prometem e não cumprem. Conhecem bem a Lei de Deus, mas acabam se perdendo em teorias e regras, longe do "caminho da justiça" do Reino. Pois estas mesmas lideranças haviam transformado a lei do êxodo, lei de fraternidade e vida para todos, em pesado fardo de normas e regras de pureza e impureza, de mérito e castigo, mais a aflição dos que já sofriam com a doença e o preconceito.
  São aqueles considerados malditos, cobradores de impostos e prostitutas, os que entram antes no reino  de Deus. São aqueles que reconhecem a ação de Deus em João Batista, o qual chamava à mudança de mentalidade, ao caminho de justiça que é a vida nova que Jesus vem trazer.
   Entram no reino de Deus, portanto, é reconhecer-se pecador e converter-se, mudar de mentalidade. É superar a justiça da Lei para chegar, pela fé, à justiça do Reino. Justiça que é inseparável da bondade, da misericórdia e das atitudes concretas.
   A parábola de Jesus continua sendo um alerta para nós. Afinal, estamos assumindo na própria vida a vontade de Deus com atitudes concretas? O modo como vivemos a religião ajuda os que mais sofrem a se aproximarem de Deus e sofrer menos? Para as lideranças religiosas e políticas ou qualquer tipo, o alerta é ainda mais sério: se não olharem e seguirem os "malditos pecadores" que se convertem, não entrarão no reino de Deus.
      Padre Paulo Bazaglia

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

O BOM PATRÃO
   Com a parábola de hoje, Mateus conclui o ensinamento de Jesus na Judeia. De lá o Senhor se dirigirá a Jerusalém, onde sofrerá o processo de condenação. Nesse relato, ele compara o reino dos céus ao comportamento de um proprietário que vai em busca de operários para sua vinha. Diferentemente de seus colegas, o patrão da parábola não segue as regras da retribuição proporcional ao serviço prestado. 
   Esse proprietário pode ser chamado de "bom patrão", porque não fica preso à letra fria das leis trabalhistas, mas as transcende, vai além daquilo que elas propõem como mínimo. E o que quer dizer de patrões que não pagam nem o mínimo estabelecido pela lei?
   O "bom patrão" é aquele que procura os desempregados e oferece emprego e salário digno a todos, independentemente da função que desempenham. Paga a todos o adequado para que eles e suas famílias tenham condições básicas de vida, com dignidade. O evangelho não põe em questão a quantia, mas o pagamento suficiente à manutenção da dignidade de cada trabalhador.
   Existem as leis trabalhistas e os sindicatos, que determinam pisos salariais diferentes conforme a função exercida. Mas uma coisa é certa: todos precisam ganhar o suficiente para viver com dignidade. O patrão do evangelho diz que pagará "o quer for justo". Além da justiça humana, não se pode ignorar a justiça divina, que quer respeito e dignidade para todos. O trabalhador não deveria criar desigualdades entre as pessoas, mas, ao contrário, ser fator de igualdade entre elas.
   Também na comunidade, todos os que exercem algum serviço têm o seu valor. Não porque alguém exerce determinada função que é mais do que os outros; todos os servidores da comunidade, merecem reconhecimento e valorização, qualquer que seja a tarefa que assumem.
   A bondade e a justiça de Deus são bons termômetros para nossa conduta de cristãos, discípulos e discípulas seguidores de Jesus. Muitas vezes a bondade de Deus nos constrange e o censuramos por não pensar e agir como nós; não toleramos sua bondade infinita para com todos - a começar pelos mais fragilizados - porque ela questiona a nossa mesquinhez.
         Padre Nilo Luza      

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

CONDENAR OU AJUDAR A RECUPERAR?
  O capítulo 18 de Mateus contém o quatro discurso doutrinal de Jesus, que propõe uma catequese de conveniência comunitária. O texto deste domingo se insere nesse contexto. O mestre sabe que a comunidade não é perfeita e convencida pelos discípulos a superar conflitos no seu interior. O que fazer quando um irmão ou irmã comete algo errado contra alguém ou contra a própria comunidade. 
  A ofensa a um membro da comunidade é algo sério; por isso, cabe buscar reconciliação. Jesus propõe  alguns passos para evitar a injustiça contra o ofensor, que poderia vir a ser condenado ou excluído de forma apressada.
  O primeiro passo é o ofendido ir ao encontro daquele que o ofendeu tentar superar o o conflito. Se não surtir resultado, o segundo passo é buscar a ajuda de uma ou duas pessoas; caso isso não resolva , parte-se para o terceiro passo, envolvendo a comunidade para tentar a solução. Se nem assim houver entendimento - depois de muita oração -, a pessoa poderá ser excluída da comunidade.
  A correção fraterna é sempre uma atividade espinhosa para a pessoa que a realiza ou para a própria comunidade. Por isso, todos esses passos devem ser realizados com amor e muita fé.
  A preocupação de Jesus e tentar evitar a todo custo a condenação ou a exclusão de algum membro da comunidade. A tarefa da correção fraterna é justamente buscar a inclusão da transgressor. Antes de condenar ou excluir, a comunidade tem o compromisso de resgatar. E se um membro da comunidade for desligado da comunidade, não significa necessariamente que está abandonado à própria sorte ou separado de Deus.
  No final do primeiro século da era cristã, começava a haver certo rigorismo nas comunidades, influenciadas pelo legalismo do império romano. As sinagogas também se tornam bastante exigentes, rejeitando os membros que se declaram cristãos. O autor do evangelho chama a atenção para que as comunidades cristãs não adotem tais critérios rigoristas e legalistas. Elas precisam ser espaços de solidariedade e de fraternidade.
       Padre Nilo Luza

sábado, 2 de setembro de 2017

TEXTOS DE OUTROS PADRES

OS DESAFIOS DA IGREJA

   Após promover a partilha do pão que saciou a multidão Jesus se retira para a montanha para rezar, enquanto os discípulos entram na barca e navegam para o outro lado da margem. Nessa travessia, vento põe em risco a barca. Já de madrugada, Jesus aparece aos seus caminhando sobre o mar. Os discípulos são incapazes de reconhecê-lo e se assustam, pensando ver um fantasma. Pedro tenta ir ao encontro do Mestre, quer se comparar a ele, mas mas logo sente o vento contrário e o mar agitado e se apavora, recebendo uma reprimenda de Jesus pela falta de fé.
  Essa cena do evangelho mostra a situação de fraqueza e falta de fé das comunidades, que se sentem ameaçadas pelas ondas adversas no final do primeiro século. Deus, porém, não abandona as comunidades e lhes estende a mão para que tenham certeza da sua presença da sua presença. Coragem, diz-lhes o Mestre, não tenham medo, sou eu.
  A Igreja é convidada a fazer a travessia do mar e não ficar fechada  em si mesma por medo de enfrentar as adversidades da caminhada. Na outra margem do lago há necessidade da missão. A travessia é sempre perigosa e pode amedrontar, mas é necessária para enfrentar os desafios do século 21. Os medos são os piores inimigos de seguimento de Jesus
  As ondas contrárias ao projeto de Jesus são muitas e perigosas; a Igreja não pode se acomodar, fazendo de conta que não tem nada com isso. A ordem de Jesus e categórica: Entrem na barca e atravessem o mar. Hoje também estamos numa travessia difícil, rumo a uma nova maneira de ser Igreja: "em saída", como propõe o Papa Francisco. Exige-se dela coragem e muita confiança para não afundar nas águas do mar.
  Na reação dos discípulos ("é um fantasma") será que se pode ver o juízo da sociedade atual a respeito da Igreja, um "fantasma estrelado"? Muitas vezes mostramos incapazes de sentir a mão estendida de Jesus que nos segura e dá confiança. O Papa Francisco aponta-nos o caminho: sair para as periferias sociais e geográficas.
     Padre Nilo Luza

TEXTO DE OUTRO PADRE

LUZ DE DEUS
  Em Jesus se manifesta a glória divina, resplandecente  de luz, acompanhada pelas nuvens e pela voz que deixa claro: este é o Filho amado pelo Pai.
  Os detalhes da cena fazem pensar em Moisés, que voltava do monte Sinai com o rosto resplandecente por ter estado na presença de Deus. A luz intensa que brilha no rosto e nas vestes de Jesus, ao invés, não vem de fora. Vem dele mesmo, pois aquele Mestre que vivia no meio de gente pobre, nas periferias, é ele próprio o Senhor da história. Não se manifesta glorioso na capital de Jerusalém a uma multidão de pessoas, mas numa montanha qualquer a três discípulos.
  A transfiguração foi  uma antecipação, momentânea, da glória do Senhor. Uma experiência sem igual, tanto que Pedro sugere armar tendas para continuar ali. O Senhor glorioso, porém, deverá antes entregar a própria vida, passando pelo sofrimento e pela morte. Pois o Senhor da glória é o servo sofredor.
  Para os três discípulos e para nós permanecem duas ordens. A primeira vem do Pai, para ouvir o Filho Amado. Ouvir é a atitude fundamental dos discípulos. Ouvir Jesus é atender o que disse e fez, para que seu ensinamento esteja vivo em nossa vida. A outra ordem vem do próprio Jesus, que toca nos discípulos e diz que se levantem e não tenham medo de enfrentar os desafios da realidade.
  O Senhor continua se revelando a nós. Ele se manifesta de muitos modos, reanima nossa fé, alimenta nossa esperança, faz-nos vencer o pecado da tristeza e confirma nossa missão realidades a transfigurar...
  "Com Pedro, Tiago e João subimos também nós hoje ao monte da Transfiguração e permanecemos em contemplação do rosto de Jesus, para assimilar sua mensagem e traduzi-la na nossa vida; porque também nos podemos ser transfigurados pelo Amor. Na realidade o amor é capaz de transfigurar tudo. O amor transfigura tudo! Vocês acreditam nisso?" (Papa Francisco, Ângelus, 01/03/2015).
      Padre Paulo Bazaglia

sábado, 29 de julho de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

O REINO REQUER PACIÊNCIA

   O reino de Deus é a boa semente semeada pelo Filho do Homem, o trigo que cresce no mundo em meio a situações difíceis, superado forças contrárias. 
   Os empregados da parábola do joio e do trigo são impacientes. Querem acabar logo com o joio. Fazem pensar nas atitudes imediatistas, vingativas e violentas que acabam gerando injustiça, porque mesmo em corações malvados se pode encontrar sementes de bondade. 
   A boa semente que o próprio Jesus semeou tem em si o poder de germinar e frutificar, mesmo em meio ao joio. Mas, como as sementes precisam de tempo, o Reino também requer paciência.
  É com paciência que Deus age. Deus não quer separar, mas dar tempo para que o Reino aconteça no mundo, e não fora dele. Jesus é o espelho dessa paciência divina, ao rejeitar o pecado e perdoar o pecador, ao procurar aqueles a sociedade rotula como malditos, ao acolher em vez de excluir.
  Na explicação de Jesus, o joio são os "filhos do maligno", as pessoas que pactuam com a maldade. Muitas situações e forças são claramente contrárias ao projeto de Deus deseja. Mas, concretamente, não é o caso de fazer a "caça ao joio", até porque não seria tão simples identificá-lo. E, sempre que se exclui alguém, algo de bom também se perde. Além disso , fazer justiça com as próprias mãos não é algo que o Mestre ensinou.
   Aprender com a paciência de Deus, em vez, é o convite do evangelho. Paciência não é conformismo, mas esperança ativa de que o Reino está em curso, transformando a história, com a menor das sementes que naturalmente se torna grande planta, como o fermento que tem força de transformar toda a massa. É certeza de que Deus, é não o mal, tem a primeira e a última palavra.
  O Reino é o homem semeando no campo, é a mulher fermentando a massa,  somos todos nós trabalhando juntos para melhorar este mundo. um trabalho paciente, dando tempo ao tempo, sobretudo para conviver com o joio. Não somente o joio que costumamos ver nos outros, mas também o joio que pode ser mas daninho, o que etá dentro de nós mesmos.
      Padre Paulo Bazaglia

terça-feira, 25 de julho de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

SEMEAR A PALAVRA NO CORAÇÃO DO MUNDO

  Neste domingo e nos próximos dois domingos, a liturgia nos propõe o capítulo 13 de Mateus, que comunica o ensinamento de Jesus por meio de parábolas. O texto de hoje apresenta a parábola do semeador, o porquê das parábolas em geral e a explicação daquela parábola em particular.
  Jesus sai do ambiente restrito, familiar, e se dirige à margem do lago, onde o povo se reuniu para ouvir e acolher sua mensagem. Ali, conta a parábola do semeador - o qual também saiu de casa para lançar sementes em quatro tipos de terenos diferentes. 
  Nos três primeiros solos semeados, o agricultor nada recolhe, pois a semente caiu em caminho endurecido, terreno pedregoso e terreno espinhoso. Há duas possibilidades: o semeador é inexperiente ou, o mais provável, é pobre, restando-lhe terrenos nada produtivos. Jesus era ciente de que nem todos os camponeses tinham acesso às terras produtivas, normalmente controladas pelos poderosos. Para o pobre, a alternativa era tentar semear em terrenos pedregosos ou a à beira do caminho. Mesmo diante do insucesso, o semeador não desiste, continua insistindo e consegue resultados positivos quando semeia em terreno bom.
  Mateus explica a parábola - provavelmente às comunidades urbanas - e comprara a semente à palavra de Deus. A mensagem de Jesus produz à medida da disposição de cada um em em acolhe-lá. Seremos como terreno à beira do caminho quando a palavra de Deus não nos atrai, nos fechamos no discernimento e não a acolhemos. Terrenos pedregosos é o que ouve e acolhe a Palavra, mas os riscos da incompreensão e da perseguição do império romano e das autoridades judaicas contra se declararem cristãos. Tal testemunho, portanto, não passa de "fogo na palha". O terreno espinhoso é comparável àquele que ouve a Palavra, mas outras preocupações "menos espinhosas" prevalecem. Os desejos egoístas sufocam a mensagem de Jesus. Por fim, terreno bom é o coração que ouve a Palavra e se compromete com o projeto de Jesus.
      Padre Nilo Luza

domingo, 23 de julho de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

NÃO TENHAM MEDO

  O evangelho deste domingo pertence ao discuso de Jesus sobre a missão da comunidade cristã. São palavras dirigidas aos discípulos e discípulas que assumem a missão no seguimento de Jesus.
  O evangelho repete três vezes "não tenham medo" - sinal de que nas comunidades daquela época havia muito medo, em consequência da perseguição contra os cristãos. Medo de ser preso, ser perseguido e torturado, ser expulso da comunidade. Diante disso, muitas pessoas deixavam de dar testemunho de fé, abandonando a missão.
  Hoje temos medo da violência, fruto do desemprego, da intolerância, da injustiça, que joga milhões na miséria. Nossa sociedade é uma mais injustas do mundo. Mesmo atrás, foi divulgado que dezenas de famílias brasileiras detém, juntas, a mesma riqueza que a metade da população mais pobre do país (cem milhões de pessoas). Diante de tanta injustiça, como construir uma sociedade que viva em paz?
  A proclamação e a vivência de nossa opção religiosa pelo evangelho frequentemente geram críticas. Podemos sofrer incompreensão ou até perseguição e morte quando nos empenhamos de verdade na construção do reinado anunciado por Jesus, combatendo as injustiças, a miséria e arrogância.
  Jesus encoraja seus seguidores a não terem medo, pois ele tem o controle de nossa vida e tem autoridade sobre o destino da pessoa em sua totalidade (corpo e alma). O cristão é convencido a depositar a sua confiança em Deus, pois este não o abandona nas mãos dos perseguidores. Nosso Pai não se esquece de nenhum de seus filhos e filhas. Ele está sempre do lado do ser humano, que vale muito mais do que os passarinhos.
  Deus é presença constante na nossa vida. Ele é a mão forte de que necessitamos para ter segurança na fraqueza, é a luz que ilumina e guia nossos caminhos. Nossa vida está nas mãos de Deus, que nos livra do fracasso final. Essa certeza não nos acomoda, ao contrário, leva-nos a assumir o compromisso com seu reino.
       Padre Nilo Luza

sábado, 10 de junho de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

ESPÍRITO DO AMOR FIEL
  Depois da última ceia com os discípulos, pouco antes de ser preso, Jesus se despede dos que o acompanharam ao longo da missão, deixando como que um testamento. As palavras do evangelho hoje proclamadas situam-se nesse contexto de despedida. 
  Jesus está para ser preso, enfrentará o sofrimento e a morte e sabe que a comunidade dos que o seguem também haverá de enfrentar oposição e perseguição. Como continuar a missão do Mestre, quando ele não estiver mais fisicamente presente? Como superar as tentações de um mundo de injustiças, do "salve-se quem puder"? Como resistir, acreditando que Deus continua presente, quando tudo em volta parece indicar o contrário?
  Diante da angustia, do sofrimento próprio e alheio, estão aí as palavras de Jesus, que nos garante: "Não os deixarei órfãos". Esta garantia se baseia na presença do Espírito da Verdade, vindo do Pai, que não só nos acompanhará, como estará dentro de nós. É o Espírito da Verdade, que nos permite recordar o que Jesus fez e falou, para assim podemos agir e falar como ele estivesse agindo e falando. Aliás, podemos traduzir Espírito da Verdade por Espírito da Fidelidade, aquela fidelidade com a qual Jesus levou adiante a missão confiada a ele pelo Pai e que nos encoraja a ser fiéis ao mandamento novo do amor. 
  O "mundo", representado pelas lideranças injustas que condenaram e mataram Jesus, não recebe este Espírito de amor fiel, porque não o conhece. Sabe o que é amor fiel quem amo incondicionalmente, quem se entrega pelo outro como o Mestre o fez.
  O amor de Jesus abre e fecha o texto de hoje proclamado. Amar a Jesus é deixar-nos animar pelo dinamismo do seu amor, que sempre nos leva ao outro, para ser testemunhas do amor misericordioso do Pai. Jesus continua vivo em nosso meio, ressuscitado, a nos acompanhar com o Paráclito, o Espírito Defensor que nos mantém perseverantes no amor.
      Padre Paulo Bazaglia
Minhas Palavas Sobre Esse Assunto:

Devemos ser perseverantes na fé e acreditar que Jesus Cristo nunca vai deixar sozinhos nesse, acredite ele está em nosso meio e dentro de nós, Ele veio para salvar a humanidade Ele nos ama com seus filhos e filhas, somos seu povo e seu rebanho, caminhemos sempre na Estrada Vida, da esperança e do amor fraterno do Pai, somos convidados por Maria a Mãe do Salvador de Jesus Cristo a rezar o Santo Terço. Jesus Cristo é Espírito de Verdade e Vida Eterna. Somos seu povo e seu rebanho. Que nossa caminha na fé de Jesus Cristo no conduza a vida plena junto do Pai, Filho e do Espírito Santo.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

COMUNICAR ESPERANÇA E CONFIANÇA
  Neste domingo da Ascensão do Senhor, a Igreja celebra o 51º Dia Mundial das Comunicações Sociais com o tema, escolhido pelo Papa Francisco: '"Não tenhas medo, que eu estou contigo' (Is 43,5). Comunicar a esperança no nosso tempo".
  A mensagem do papa para esta ocasião considera que uma das maneiras de contar a história do mundo é por intermédio das informações divulgadas pelos diversos veículos de comunicação. Ressalta, então, como é importante narrar essa história segundo a lógica da boa notícia. Isto não significa, evidentemente, negar os acontecimentos trágicos e tristes. A questão que preocupa, atualmente, é o predomínio de notícias negativas que provocam, no indivíduo e na sociedade, sensação de insegurança e medo.
  De fato, são inúmeras as notícias com teor negativo e com forte dose de sensacionalismo que nos chegam diariamente por meios dos jornais, de revistas, da televisão, do rádio e da internet. Tais informações indicam que o mal é, infelizmente, mais espetacular e ruidoso que o bem e, por conseguinte, mais lucrativo para os meios de comunicação.
  Cabe a nós, cristãos, escutar a voz de Jesus ressuscitado, que nos envia a anunciar, sem medo, as "boas notícias" oriundas de suas palavras e de seus gestos. Faz parte de nossa missão difundir também informações refentes às iniciativas audaciosas, que encontramos na sociedade, a favor da justiça, da paz e da solidariedade e a outras ações que contribuem para a construção de um mundo mais humano e fraterno. Nessa perspectiva será possível suscitar, no nosso tempo, a confiança e a esperança que Jesus nos veio fazer.
        Padre Valdir José de Castro 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

A FONTE DE ÁGUA VIVA
  Jesus, cansado da viagem, senta à beira do poço. Ao chegar uma mulher para buscar água, o Senhor pede que ela lhe dê de beber. Aí em volta do poço de Jacó, começa um belo diálogo entre o Mestre e samaritana. A conversa gira em torno da água, do conflito entre os judeus e samaritanos,dos maridos da mulher, da adoção a Deus e da verdadeira fonte de água viva. Diálogo rico e revelador, entre as duas personagens.
  A conversa se inicia por necessidade física: a sede. Jesus pede água à mulher, esta se admira que um judeu dirija tal pedido a uma mulher samaritana. Aos pucos e além do sentido natural, Jesus agregando à água outro sentido.
  O conflito entre judeus e samaritanos era antigo. Vinha desde séculos passados, quando os samaritanos adotaram as divindades introduzidas pelos povos estrangeiros que invadiram o Reino do Norte.
  A questão dos maridos da mulher do diálogo, entrando agora pela família da samaritana: seus cinco maridos. Segundo os estudiosos, provavelmente se referem ao número das divindades cultuadas pelos samaritanos.
  Onde é o lugar de adorar a Deus? Os judeus adoravam no templo de Jerusalém, os samaritanos, no templo de Garizim. Jesus esclarece que a adoração agradável a Deus não se limita a templos e lugares predeterminados, mas nasce do interior do ser humano ao longo da vida, independentemente de templo e lugar. "Os verdadeiros adoradores adoram o Pai em espírito e verdade."
  Jesus é a verdadeira fonte. A conversa ingressa no tema messianismo, momento que o Mestre se apresente como o "Messias", fonte donde jorra água viva e para vida. Ele se revela justamente a uma mulher excluída e marginalizada. 
  Quando os discípulos chegam, a mulher larga o balde e vai anunciar aos seus conterrâneos que encontrou o Cristo. Ela já não tem necessidade da água do poço de Jacó (no contexto a, lei mosaica), pois descobriu a verdadeira fonte que sacia a sede profunda do ser humano - Jesus Nazareno - e assim se torna a primeira missionária dos samaritanos. 
   Padre Nilo Luza

terça-feira, 9 de maio de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

JESUS PASTOR E PORTA
  No evangelho de hoje proclamado, Jesus se apresenta ao mesmo tempo como Pastor e Porta.
  E dura a critica de Jesus às lideranças do tempo. Em vez de servir ao povo, abrindo-lhe perspectivas de vida, ele o haviam aprisionado em instituições políticas e religiosas que serviam sobre tudo para manter os próprios privilégios. Para Jesus, líderes assim nunca foram e nunca serão pastores, mas apenas "ladrões e assaltantes", que vêm para "roubar, matar e destruir". Ele mesmo diz, aliás: "todos os que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes". Pois, ao procurar somente os próprios interesses, fracassaram na missão de conduzir o povo pelos caminhos da vida que Deus deseja.
  É um alerta contra todo exercício de poder de quem busca os próprios interesses à custa do sofrimento do povo. Alerta válido para todos, mas sobretudo para autoridades civis e religiosas, cujo poder só pode ser exercido genuinamente com serviço de defesa e promoção do bem comum. E o bem comum, nós o sabemos, requer dedicação especial aos mais pobres.
  Daí Jesus se apresenta como o Pastor autêntico, aquele que o Pai envia para cuidar das ovelhas, o povo querido de Deus. Pois, diferente dos que roubam e usam o povo, Jesus vem para servir e dar vida, chamando pelo nome, superando todo anonimato. Ele se deixa conhecer, para que aqueles que são seus não sejam enganados por líderes perversos.
  Jesus nos impulsiona a viver revelações verdadeiras e sinceras, que nos formam como cristãos comprometidos na comunidade. Pois a comunidade não é um amontoado de anônimos, mas comunhão de gente que se conhece, se respeita e ajuda e se lança além de si mesma. O anonimato abafa a voz do único Pastor e deixa as comunidades de fé entregues a tantas outras vozes. 
  Jesus também se apresenta como Porta para as ovelhas. Ele é a passagem para os que desejam a liberdade de encontrar pastagens de vida abundante. Como dirá mais adiante no evangelho, ele mesmo é "o caminho a verdade e vida", ou "o verdadeiro caminho para vida".
     Padre Paulo Bazaglia 

TEXTO DE OUTRO PADRE

A PRESENÇA DO RESSUSCITADO
  No primeiro dia da semana, Maria Madalena madrugada para ir ao túmulo onde o corpo de Jesus estava foi depositado. Lá vê que a pedra da entrada foi removida e o corpo não se encontrava no sepulcro. Assustada, corre para anunciar aos discípulos que alguém teria levado o corpo do Senhor. Ela ainda não entende o que aconteceu e, sem o Mestre, se sente perdida e desconcertada. 
  Sem sucesso, ela buscou Jesus entre os mortos, mas lá já não é o lugar dele. Nossa catequese talvez não seja suficiente para despertar nossa fé no Ressuscitado e, por isso o buscamos em lugares inadequados, movidos por uma religião fria e calculista, fundamentada no cumprimento rigoroso de leis e normas. O Ressuscitado se encontra lá onde se vive segundo o Espírito Santo, onde se espalha amor, solidariedade e alegria.
  Deus é amigo da vida, por isso ressuscita seu Filho, libertando-o das trevas da morte. Deus é Pai que deseja vida plena para todos seus filhos e filhas. Como discípulos e discípulas de, temos o compromisso de levar a vida onde a sinais de morte. Deus está ao lado de Jesus crucificado e dos crucificados do mundo de hoje, não do lado dos crucificadores.
  Os discípulos, avisados por Maria, vão ao túmulo verificar e constatam a exatidão do relato da mulher. Pela posição das faixas e do pano, concluem que não houve roubo de cadáver. O outro discípulo, o que acreditou no amor de Deus, "vê e acredita" que Jesus já não é prisioneiro das mortalhas; sua intuição é fruto do amor. Quem ama sempre chega primeiro e vê além das aparências.
  As três personagem da cena representam a comunidade que tem dificuldade de acreditar no Ressuscitado e aderir a ele, de dar o salto de qualidade para passar da dúvida à fé. A comunidade sem fé é incapaz de reconhecer a presença do Senhor e não consegue assumir o compromisso do testemunho.Deixemos que a aurora deste novo dia nos inunde da luz do Ressuscitado. 
Padre Nilo Luza  

sexta-feira, 14 de abril de 2017

TEXTOS DE OUTROS PADRES

INCOMPATIBILIDADE ENTRE DEUS E O DINHEIRO
  Continuamos a ser instruído pelo Sermão da Montanha. O trecho de hoje começa alertando sobre o perigo de transformar a riqueza e o dinheiro em ídolos, a seguir mostra em que depositar a confiança e, por fim, qual deve ser a primeira preocupação de quem segue a Jesus.
  O Mestre da incompatibilidade entre Deus e o dinheiro: não é possível ser leal ao dois senhores opostos. ele condena a idolatria ao dinheiro, quando toma o lugar de Deus. Convertido em ídolo absoluto, o dinheiro torna-se o maior inimigo do mundo desejado por Jesus, mundo fraterno e solidário, Jesus denuncia que o "culto ao dinheiro" é o maior empecilho para a humanidade que pretende ser justa e o maior obstáculo ao reino de Deus.
  A preocupação com muitas coisas é forte aliada da ânsia de acúmulo das pessoas. Por isso Jesus convida a confiar em Deus e aprender da natureza. Toda organização e instituição planejam para bem atuarem; as comunidades avaliam o trabalho e fazem programações: as pessoas preparam-se para bem exercer a futura profissão. O evangelho não questiona tanto a preocupação com o dia de amanhã, mas em quem depositamos a confiança. Preocupar-se tem que ver com prioridade, o que monopoliza o coração. Não é proibida a preocupação com alimento, bebida, vestimenta... A pergunta que Jesus faz é ao que damos maior valor, com o que queremos nos ocupar em primeiro lugar.
  A preocupação primeira deveria se o reino de Deus ("buscai em primeiro lugar o reino de Deus, tudo o mais virá por acréscimo"). O reino pregado por Jesus supõe a satisfação das necessidades básicas de todo ser humano. Aqui está a chave deste evangelho. O Papa Francisco insiste em um economia de inclusão, pois a economia da exclusão e da iniquidade mata. Quando o "culto ao dinheiro" toma conta do coração, " tornamo-nos incapazes de nos compadecer do clamor dos outros, já não choramos diante do drama dos demais" (Papa Francisco).
Padre Nilo Luza  

domingo, 9 de abril de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

SUPERANDO AS TENTAÇÕES
  Antes de iniciar a sua pregação na Galileia, Jesus é conduzido pelo Espírito ao deserto, onde foi tentando por quarenta dias. São dias de provação e superação ,que recordam os quarenta anos de caminhada do povo hebreu rumo à Terra Prometida.
  Jesus venceu a tentação de ter comida e vida fáceis, recusando-se a transformar pedras em pães. Venceu a tentação de ter poder e prestigio negando-se a se submeter ao que é satânico, ou seja, ao projeto de Deus. Venceu a tentação de tentar o próprio Deus, recusando ações e atitudes que deixariam Deus e seu projeto em segundo plano.
  Ao superar as tentações, Jesus mostra que está completamente comprometido com a missão que o Pai lhe confiou. Além disso, as tentações vencidas indicam qual é a missão de Jesus e, consequentemente, a missão dos seus seguidores. Missão de trabalhar incansavelmente pelo pão para todos, no caminho da palavra de Deus, a qual não ilude com soluções mágicas e fáceis. Missão de adorar somente a Deus, único e absoluto, relativizando ideologias e extremismos para buscar a raiz do evangelho, em valores como a compaixão, a solidariedade, a fraternidade e o amor. Missão dar sentido à própria vida e ajudar os outros a fazê-lo também, não se submetendo a nenhuma lógica diabólica que divide as pessoas.
  Iniciemos a Quaresma, somos como que convidados a ir com Jesus ao deserto do silêncio interior, para ouvir de verdade a sua Palavra e deixar que aí ela ecoe. A Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa, seja de fato ocasião para fortalecermos a fé e refletirmos sobre o nosso compromisso com Jesus. O mesmo Espírito que guiou Jesus continua nos guiando. Obedientes à palavra de Deus, confiamos que o Mestre está conosco, ajudando-nos a superar as dificuldades e as tentações.
      Padre Paulo Bazaglia

TEXTO DE OUTRO PADRE

TRANSFIGURAR-NOS À IMAGEM DE JESUS
  Neste domingo somos apresentados à transfiguração de Jesus segundo o Evangelho de Mateus. O anúncio da transfiguração do não se dirige à elite política e religiosa em Jerusalém, grande centro de poder. É feito de forma reservada numa "alta montanha", lugar do encontro com Deus. Lá tudo se transforma: o rosto do Mestre, sua roupas. Moisés e Elias aparecem, representando o Antigo Testamento: as leis dos profetas.
  A referência à montanha recorda o monte Sinai, onde se Deus entregou as tábuas da lei a Moisés. A transfiguração é vista, portanto, como novo êxodo de vida e liberdade para o povo, e Jesus é o novo Moisés que veio para "iluminar" a lei dar-lhe novo sentido.
  A transfiguração é como que a antecipação da glória da ressurreição, que passa antes pela morte na cruz. Sem a cruz não haverá glória plena e plenamente. Na montanha, não compreendendo o sentido da cena e impulsionado pela visão deslumbrante, Pedro cai na tentação de armar ali tendas e fixar morada. Ele não entende que seguir a Jesus não é buscar privilégios nem se acomodar; não é apenas participar da glória de Cristo, mas assumir a missão, sendo solidário e defensor da vida dos crucificados de hoje.
  A voz vinda da nuvem apresenta Jesus como o "Filho amado por Deus" e faz um apelo à comunidade - representada pelos três discípulos - para ouvir o que ele tem a dizer. Ouvir é abrir caminhos para que a Palavra chegue às e transforme os corações. No Sinai, só Moisés ouviu a voz de Deus e se tornou seu porta-voz. Agora todos podem ouvir o Mestre, já não há necessidade de intermediários e todos são porta-vozes do projeto de Jesus. A escuta estabelece relação entre Jesus e seus seguidores.
  É fascinante ficar no cume da montanha, tendo uma visão privilegiada e contemplando ao longe um panorama maravilhoso; mais ainda é cedo para a comunidade se instalar lá. É preciso descer a montanha e se estabelecer na planície, onde vive o povo e a missão acontece, construindo o reino de Deus a partir das "periferias existenciais".
             Padre Nilo Luza

TEXTO DE OUTRO PADRE

JESUS: FONTE DE VIDA SEM FIM
  A ressurreição de Lázaro é o sétimo e último dos sinais apresentados por João no seu evangelho. O relato mostra Jesus como defensor da vida. A vida comunicada por ele aos seus com o dom do Espírito vence a morte e traz a ressurreição. A cena torna-se oportunidade para Jesus revelar seu empenho em favor da vida.
  Nela, além de Jesus, aparecem mais três personagens relevantes: os irmãos de Lázaro, Marta e Maria. Lázaro é o morto que já foi enterrado e o motivo da vinda de Jesus. Marta vai ao encontro do Senhor e diz acreditar que, se ele estivesse presente, o irmão não teria morrido. Ademais, ela testemunhava a fé na ressurreição e em Jesus, o Filho de Deus. Maria "faz sala" às visitas e chora a morte do irmão, comovendo o Mestre. 
  Na ressurreição de Lázaro se manifestem a glória de Deus e o sentido mais profundo da obra que Jesus veio realizar: a passagem da morte para a vida daqueles que nele acreditam. Jesus, que é a ressurreição e a vida, mostra que a morte é uma necessidade física para herdarmos a vida plena em Deus. A morte não interrompe a vida, apenas abre a passagem para eternidade.
  O evangelho ressalta a humanidade de Jesus, alguém capaz de chorar com os que choram e se compadecer dos que sofrem. Ao ver a amiga chorar, também cai no choro - algo normal num ser humano. Diante da morte, a exemplo de Jesus, podemos chorar e devemos confiar em Deus, pois ele é mais forte do que a morte e deseja a todos vida eterna e plena.
  O relato de hoje aponta para a ressurreição de Jesus, com uma pequena, mas importante diferença: Lázaro saiu amarrado com as mortalhas, o que significa que ele necessitava ser libertado das amarras da morte e não estava livre da morte biológica - um dia voltaria ao túmulo; Jesus, ao contrario, deixou os sinais de morte (lençol e sudário) no túmulo, nunca mais seria novamente atado pela morte - venceu-a para sempre.
            Padre Nilo Luza

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

TEXTOS DE OUTROS PADRES

SAL E LUZ
  No evangelho de hoje, Jesus fala de sal e luz para traduzir o que significam as bem-aventuranças que havia acabado de apresentar. Os discípulos que aprendem do Mestre o espírito da felicidade do Reino são sal da terra, luz do mundo. 
  O sal tempera e, desaparecendo, dá gosto aos alimentos. Assim os cristãos buscando a justiça, agindo com misericórdia, promovendo a paz, transformando as relações e mas - mesmo perseguidos e com a dor das injustiças - mantendo-se firmes no seguimento de Jesus, fazem a diferença no mundo.
  Os cristãos são também luz do mundo. No tempo de Jesus, não existia a comodidade da luz elétrica. A luz era o óleo consumindo-se no pavio. Os cristãos são luz porque buscam aparecer, mas porque, com a prática das bem-aventuranças, iluminam as realidades escuras, ajudando as pessoas a orientar os próprios passos. Luz que brilha, portanto, é a doação concreta dos cristãos, as boas obras que clareiam caminhos a mentes e levam as pessoas a glorificar a Deus.
  Não se trata, portanto,de fazer o bem e fazer propaganda do bem feito. Trata-se, sim, de consumir dia a dia que a justiça do reino continue brilhando e vencendo as trevas.
  Todos juntos somos sal da terra. luz do mundo. Individualmente, somos apenas uma pitada de sal para uma situação concreta, somos uma pequena lamparina ajudando a iluminar alguém. O que já é bastante. Mas, juntos, todos nós que seguimos a Jesus podemos transformar o mundo todo para melhor, podemos ser verdadeiro clarão do amor de Deus pela humanidade.
            Padre Paulo Bazaglia