Neste domingo somos apresentados à transfiguração de Jesus segundo o Evangelho de Mateus. O anúncio da transfiguração do não se dirige à elite política e religiosa em Jerusalém, grande centro de poder. É feito de forma reservada numa "alta montanha", lugar do encontro com Deus. Lá tudo se transforma: o rosto do Mestre, sua roupas. Moisés e Elias aparecem, representando o Antigo Testamento: as leis dos profetas.
A referência à montanha recorda o monte Sinai, onde se Deus entregou as tábuas da lei a Moisés. A transfiguração é vista, portanto, como novo êxodo de vida e liberdade para o povo, e Jesus é o novo Moisés que veio para "iluminar" a lei dar-lhe novo sentido.
A transfiguração é como que a antecipação da glória da ressurreição, que passa antes pela morte na cruz. Sem a cruz não haverá glória plena e plenamente. Na montanha, não compreendendo o sentido da cena e impulsionado pela visão deslumbrante, Pedro cai na tentação de armar ali tendas e fixar morada. Ele não entende que seguir a Jesus não é buscar privilégios nem se acomodar; não é apenas participar da glória de Cristo, mas assumir a missão, sendo solidário e defensor da vida dos crucificados de hoje.
A voz vinda da nuvem apresenta Jesus como o "Filho amado por Deus" e faz um apelo à comunidade - representada pelos três discípulos - para ouvir o que ele tem a dizer. Ouvir é abrir caminhos para que a Palavra chegue às e transforme os corações. No Sinai, só Moisés ouviu a voz de Deus e se tornou seu porta-voz. Agora todos podem ouvir o Mestre, já não há necessidade de intermediários e todos são porta-vozes do projeto de Jesus. A escuta estabelece relação entre Jesus e seus seguidores.
É fascinante ficar no cume da montanha, tendo uma visão privilegiada e contemplando ao longe um panorama maravilhoso; mais ainda é cedo para a comunidade se instalar lá. É preciso descer a montanha e se estabelecer na planície, onde vive o povo e a missão acontece, construindo o reino de Deus a partir das "periferias existenciais".
Padre Nilo Luza
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