Páginas

terça-feira, 15 de maio de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

A NOTÍCIA QUE LIBERTA
   "Ide pelo mundo inteiro e anunciai o evangelho a todo criatura" (Mc 16.15) é o mandato que Jesus ressuscitado dá aos seus discípulos. Eles recebem o desafio de proclamar a "Boa Notícia", inspirada em tudo o que haviam visto e ouvido diretamente do Mestre. Detalhe importante é que tal anúncio, que contém a verdade que liberta, é acompanhando de sinais visíveis. Não se trata de somente repetir as palavras de Jesus, mas também de transformar os seus ensinamentos em gestos concretos de amor, misericórdia, partilha, justiça e paz.
   Nessa perspectiva podemos compreender o tema que o Papa Francisco escolheu para, neste domingo da Ascensão do Senhor, celebrar o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais: A verdade vos tornará livres (Jo 8,32). Notícias falsas e jornalismo de paz". De fato, na nossa sociedade tem crescido a difusão de notícias falsas ou "fake news", isto é, informações infundadas que contribuem para gerar mal-entendidos, conflitos e até divisões entre as pessoas.
   As notícias falsas têm encontrado na internet um canal de divulgação privilegiado, porém não são um fenômeno novo. São uma prática já há tempos presente também em jornais, revistas e emissoras de rádio e de televisão que, quando lhes convém, propagam informações falsas com o objetivo de defender seus interesses. Com as redes, essa possibilidade aumentou, pela facilidade com que, por meios delas, qualquer pessoa consegue criar ou transmitir notícias.
   A mensagem do Papa Francisco nos motiva a estar atentos a essa realidade e, à luz do evangelho, colaborar na promoção e publicação de notícias que transmitam a verdade - principalmente quando se trata do jornalismo profissional - e, portanto, estimulem a compreensão entre as pessoas e a paz. Essa é uma atitude concreta que convém assumir para seguir Jesus, hoje, numa cultura em que a comunicação se tornou um dos elementos fundamentais para a qualidade de vida.
Padre Valdir José de Castro    

sábado, 12 de maio de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

O AMOR QUE CONTAGIA
   No evangelho de hoje, que continua a alegoria da videira e dos ramos (domingo passado), o verbo dominante é "permanecer". Jesus sente-se amado pelo Pai e pede aos seus seguidores que aprendam dele próprio a também amar.
   Só consegue amar como Jesus amou que permanece nele e guarda seus mandamentos, da mesma forma ele guardou os mandamentos, da mesma forma que ele guardou os mandamentos do Pai. Permaneceu unida a Cristo, a pessoa recebe e seiva que fortalece e a torna capaz de amar a exemplo do Mestre.
   Jesus supera o mandamento antigo de amar "como a si mesmo", propondo aos discípulos amar "como eu vos amei". Disse nasce a verdadeira alegria, que torna a religião mais aberta, cativante e amável. Tudo o que se faz e se vive com amor deveria gerar alegria e satisfação, superando os preconceitos exibidos por um cristianismo triste, cheio de lamúrias e desgostos.
   Permanecer unidos a Jesus e ao Pai não nos isola da comunidade, não nos faz intimistas, verticais e ritualistas ; antes torna-nos mais fraternais, pois o ensinamento do Mestre mira e enfatiza a dimensão comunitária. O amor a Cristo e ao Pai nos leva a criar comunidades de irmãos e irmãs.
   A vivência do amor fraterno nos torna todos amigos e amigas, irmãos e irmãs do "irmão maior", Jesus. Eis o ideal bonito de toda família e toda comunidade: viver a total transparência, a ponto de já não haver segredos entre os membros, confiar plenamente um no outro, partilhando experiências de Deus e de vida, alegrias e esperanças, desafios e dificuldades. Quando chegaremos a formar famílias e comunidades assim?
   Permanecer no amor de Jesus é assumir a mesma prática sua. O Mestre passou por este mundo defendendo os mais esquecidos e desprezados da sociedade, doando-se até fim e por inteiro. O exemplo mais concreto do amor são os frutos produzidos em favor da vida.
   O amor é a marca distintiva do cristão: é ele que dá identidade à comunidade cristã, que estabelece novos relacionamentos entre as pessoas, que cria um mundo, fraterno e solidário.
           Padre Nilo Luza

segunda-feira, 30 de abril de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

PERMANECER EM JESUS
  A videira, ao longo da Bíblia, representa o povo de Deus. Povo que Deus ama e do qual cuida, mas que nunca havia dado os frutos de vida que ele desejava, mesmo com os "trabalhadores" (os profetas) que ensinava para proporcionar-lhe cuidado.
   Ao dizer que ele mesmo é a verdadeira videira, Jesus mostra que o povo agora são os ramos que estão unidos a ele pelo amor, alimentando-se da mesma seiva da vida - o Espírito Santo - para dar frutos.
   A questão, portanto, é produzir ou não frutos; é permanecer ou não em Jesus. Não se trata, pois, de permanecer "com" Jesus, mas "em" Jesus, vivendo a mesma vida que ele, assumindo seus mesmo sentimentos e atitudes, como ramos que são extensão do único tronco.
   O Pai, agricultor que ama a videira - Jesus com seus ramos " e dela cuida, não deixa que os ramos que não deixa que não dão fruto a enfraqueçam. A seiva, Espírito Santo vivificador, continua a correr pelos ramos que dão fruto, os quais o Pai limpa por meio da Palavra de Jesus.
    Estando unidos a Jesus, permanecendo nele como ele permanece no Pai, os discípulos são vivificados pelo Espírito Santo e, por meio do aprendizado continuo com Palavra do Mestre, podem cumprir a missão de dar muito fruto.
    É este, portanto, o tempo privilegiado para permanecer no Mestre ressuscitado. Permanecer unidos a ele não para cortar pessoas de nossa vida, como se fôssemos os ramos bons e os outros fossem destinados ao fogo; na verdade, se a poda de ramos é da competência do Pai, o agricultor, e não nossa, estar unido a Jesus requer que cada um se dedique a podar em si mesmo mentalidades e atitudes contrárias aos frutos de vida que Deus quer.
    É tempo de permanecer firmes no testemunho da misericórdia e do amor incondicional, pois é isso nos mantem unidos a Jesus.
    É tempo de glorificar o Pai, produzindo frutos de vida com o mestre, nossa verdadeira videira, sem o qual "nada podemos fazer"
Padre Paulo Bazaglia

sábado, 28 de abril de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

PASTORES COMPROMETIDOS
   No quarto domingo da Páscoa, nos três anos do tempo litúrgico, é lida uma passagem do capítulo 10 do Evangelho de João. A alegoria do pastor é uma releitura do capítulo 34 de Ezequiel. Diante do descuidado das autoridades, o profeta anunciara que o próprio Deus iria cuidar do seu rebanho. 
  Jesus retoma essa imagem e se apresenta, no evangelho deste domingo, como Bom Pastor. Ora, se há o bom pastor, isto é sinal de que pode haver também os maus pastores, ou seja, os mercenários. Quem é o bom e quem é o mau pastor?
   O Senhor se apresenta desta forma porque seu povo e o povo o conhece. Conhecer, em sentido bíblico, é uma consciência que cria comunhão, uma relação pessoal de amor e amizade. Conhecer de verdade alguém implica a disposição de pagar o preço de se colocar a seu lado.
   Ele é o bom pastor porque dá a vida para que as pessoas a tenham em plenitude. Toda sua prática foi a favor da vida, principalmente dos mais necessitados. Quem ama de verdade é capaz de se doar pela vida do amado e não foge diante do perigo. 
   É bom pastor porque se preocupa com todos, e não apenas com um pequeno grupo. Jesus não é exclusividade de um único povo. Sua proposta é para todas as pessoas e todos os povos.
   Ele não é aquele pastor autoritário que, as vezes, alguns imaginam: um pastor que tolhe a liberdade; que fica vigiando para ver se alguém comete algum deslize; que trata todo mundo como se fosse um "rebanho", negando a individualidade; que controla cada um de seus seguidores... As primeiras comunidades descobriram em Jesus bom pastor a imagem mais querida do Mestre.
   Infelizmente lado dos bons pastores, existem também os maus pastores. São os mercenários, que se apenas consigo mesmos e não têm interesse pela vida do povo. O mercenário instrumentaliza as pessoas para seu próprio fim; ele as vê a valoriza à medida que lhe forem "úteis", também (mas não só) financeiramente.
Padre Nilo Luza

domingo, 15 de abril de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

ENCONTRO QUE TRANSFORMA
   Depois da ressurreição de Jesus, os discípulos tiveram de passar por experiências que lhes permitissem compreender que a morte não tem a última palavra, que o Mestre estava vivo, que continua a caminhar com eles, que os alimentava com sua Palavra e que podia ser reconhecido na partilha do pão.
    O Ressuscitado aparece no meio da comunidade e deseja a paz. Ele, que tinha conduzindo os discípulos e ensinando novo modo de ser e de agir, continua o centro da comunidade. Jesus deseja a paz, que é a vida com dignidade para todos o anseio mais genuíno dos corações humanos.
   Os discípulos precisaram superar o susto e o medo para reconhecer o Mestre vivo, com as marcas da crucifixão, comendo peixe diante deles. O encontro com o Ressuscitado é que lhes abriu a mente para compreender o alcance da Escritura, que falava de um Servo Sofredor que ressuscitaria ao terceiro dia. Para compreenderem, afinal, que a Escritura falava da missão deles mesmos: missão de testemunhar a todos a vida nova que vem do Mestre que sofreu e ressuscitou. Vida nova que se testemunha anunciando a conversão e o perdão dos pecados a todos.
  De Jerusalém até os confins da terra, do medo que se fecha a comunidade em si mesma à coragem e alegria de anunciar o Ressuscitado, os discípulos precisaram passar por experiências de encontro com o Mestre. O testemunho cristão, portanto, requer de nós hoje o mesmo encontro, contínuo, com o Ressuscitado Jesus de Nazaré, quele Mestre que viveu e ensinou a viver entregando a vida pelo outro.
   Neste tempo de Páscoa, renovamos nosso empenho para que Jesus seja de fato centro de nossa vida, da vida de nossas comunidades, para que continuemos a nos transformar e a transformar o mundo, tocando as preocupações e as dúvidas pela fé ativa de quem se compromete com a construção da paz. Afinal, qual é a vida nova que estamos testemunhando para o mundo de hoje?
       Padre Paulo Bazaglia

sexta-feira, 13 de abril de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

VENCER O MEDO PARA EVANGELIZAR
   Tudo aconteceu no primeiro dia da semana, tanto na primeira cena, (com Tomé ausente). Os discípulos estão trancados por medo. O Ressuscitado aparece-lhes e lhes mostra os sinais da paixão, para dizer que é ele mesmo, não um fantasma. Deseja-lhes a paz e lhes concede o Espírito Santo, que os acompanhará na missão à qual foram enviados.
   O Concílio Vaticano II propõe abrir as portas e janelas da Igreja para arejá-la. Dois mil anos antes, Jesus já alertava os discípulos para que saíssem, lançando-se à missão, e não ficassem trancados - com medo - entre quatro paredes.
   O Papa Francisco incentiva continuamente a Igreja a sair e ir às periferias sociais e existenciais, onde a vida é maltratada e diminuída por motivos diversos - entre os quais, o descuido por partes das autoridades construídas.
   Avançando a passos largos no terceiro milênio da era cristã, já não estamos o direito de continuar dormir, presos à mentalidade de séculos passados. Está na hora de arejar mentes e corações, manter-nos atentos aos sinais do tempo e perceber os novos desafios que a atual "mudança de época" nos impõe.  
   O documento de Aparecida nos chama a ser discípulos e missionários. Discípulos sempre atentos à mensagem do Mestre, para aprender com ele, e missionários enviados a levar a paz (desafios sempre maior, haja vista as múltiplas formas de violência( e a reconciliação a uma sociedade cada vez mais arrogante e intolerante.
  Já fomos iluminados pelo Espírito Santo e, portanto, é o momento de assumir a missão que Jesus nos deixou. O Documento de Aparecida continua a nos advertir de que "não temos outra felicidade nem outra prioridade senão a de sermos instrumentos do Espírito de Deus na Igreja, para que Jesus Cristo seja encontrado e anunciado a todos" (DAp  14).
  O Espírito Santo animou as primeiras comunidades cristãs; ele há de iluminar e encorajar também a Igreja de hoje. Sem ele, a Igreja se fecha em seu casulo e deixa de assumir o compromisso da evangelização.
    Padre Nilo Luza

terça-feira, 3 de abril de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

SINAS DA RESSURREIÇÃO
   O primeiro dia da semana inaugura a nova criação de Deus, o tempo da Ressurreição, da vida que venceu a morte. Maria Madalena, Pedro e João representam os primeiros seguidores, que ainda não haviam compreendido o poder infinito de vida que estava em Jesus. Uma comunidade desorientada, que busca o Mestre morto no sepulcro.
   Maria Madalena é a primeira a encontrar algo inesperado: o sepulcro aberto. Ela nem se quer olha o que há lá dentro e vai contar a Pedro e João, supondo que alguém tivesse roubado o corpo do Senhor.
   A corrida dos dois discípulos ao sepulcro é a corrida simbólica da fé, e quem chega primeiro é Discípulo Amado. Chega antes quem ama e vive a relação do amor e da amizade com Jesus. É o último a ver os sinais, mas o primeiro a acreditar. 
   Os sinais do sepulcro vazio foram deixados aos seguidores de todos os tempos, também a nós: um lençol ou faixas de linho estendidas, e um sudário enrolado num lugar à parte.
   Jesus não se manteve preso as faixas que envolviam seu corpo crucificado. Ressuscitou. Venceu o poder da morte, saiu do sepulcro para a vida. As faixas ou lençóis estendidos representam a vida nova, pois fazem pensar num ambiente preparado para a consumação de um casamento: a aliança definitiva entre o Esposo ressuscitado e nova humanidade.
   Ao pensar o detalhe do sudário deixado num "lugar" à parte, o Templo de Jerusalém e a ordem injusta ali estabelecida, afirmar o "lugar" por excelência, o corpo de Jesus ressuscitado, como o novo santuário para toda a humanidade. Pois, de fato, os que foram ao túmulo à procura do corpo de Jesus saíram de lá como Corpo de Cristo.
   Quem ama vê os sinais e acredita. Na corrida de nossa fé, encontraremos sempre um sepulcro vazio, encontraremos tatos sofrimentos injustos, tantas mortes prematuras. O Ressuscitado, porém, vai nos deixar sempre os sinais de sua vitória, para seguirmos além, anunciando ao mundo que seu amor está em nós, é maior que tudo e supera tudo.
   Padre Paulo Bazaglia

domingo, 25 de março de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

DESEJO DE VER JESUS
   Muitos procuram ver e conhecer Jesus. Alguns gregos (não judeus) mostram-se interessados em conhecê-lo e manifestam esse desejo de Felipe. Ao saber disso, Jesus não estabelece conversa com eles, mas anuncia aos discípulos a chegada de sua hora. Desde o começo, o evangelista João aponta para o momento da "hora" de Jesus, ou seja, da sua glorificação".
   Provavelmente o interesse daqueles gregos surgiu pelo fato de terem sido alcançados pelo amor vivido por Jesus. Esse amor é expresso quando o Mestre diz ser necessário morrer para produzir vida, como o grão de trigo. O amor, invisível, só se se revela nos sinais concretos que alguém realiza. Jesus optou pelo serviço, pelo esvaziar-se a si mesmo, para que outros tivessem vida. Em outras palavras, chegou a esse ponto porque, ao longo de sua caminhada, procurou defender a vida dos que a tinham diminuída ou ameaçada. A defesa e promoção dos pobres provocaram conflitos com os sustentadores de uma sociedade injusta, que cria empobrecidos. 
  Jesus nos mostra que fechar-se em si mesmo é perder o sentido da vida, pois ela se plenifica quando é posta a serviço do bem dos outros. Quem vive apenas para si mesmo e com preocupações exclusivas com o dinheiro, com o próprio sucesso, bem-estar e segurança, acaba se limitando a uma vida medíocre e estéril. É como o grão que permanece apenas grão, sem nada produzir. A metáfora do grão mostra que a morte é condição para liberar o germe da vida, isto é, a energia vital que a semente contém.
  O interesse dos gregos em conhecer Jesus é compartilhado hoje por muitas pessoas. Algumas apenas por curiosidade, outras por entenderem e admirarem seu projeto e nele querem se engajar. O desejo de vê-lo significa a disposição de deixar-se transformar por sua presença. Não basta apenas saber quem é Jesus; o importante é se comprometer com ele  e com seu reino. Seremos cristãos autênticos à medida que nos sentirmos atraídos pelo Senhor e fizermos experiência com ele, seguindo-o  na cruz e na glória.
      Padre Nilo Luza

segunda-feira, 19 de março de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

O NOVO SANTUÁRIO
    Jesus praticamente inicia a sua missão pública, no Evangelho de São João, entrando no Templo de Jerusalém. Lá ele encontra, em vez de fiéis em oração, vendedores e cambistas. Um comércio tal, que havia transformado a casa de Deus em lugar de exploração, sobretudo dos pobres, com leis religiosas que obrigam os fiéis a comprar bois, ovelhas ou ao menos pombas para sacrificá-las e assim conseguir a reconciliação com Deus.
   Ao fazer um chicote de cordas, Jesus deixa claro que ele é o Messias esperando, aquele que vem para "açoitar" as praticas de injustiça e inaugurar um tempo novo. Ele faz o povo sair daquele centro de exploração, junto com ovelhas e bois. Aliás, as ovelhas na Bíblia muitas vezes representam o próprio povo. Jesus vem tirar do Templo, vem libertar da exploração comercial disfarçada de religião. Ele derruba as mesas e o dinheiro dos cambistas e ordena aos vendedores de pombas (a oferta dos pobres) que tirem tudo de lá. Pois o sacrifício de pombas de nada mais serve diante d'Aquele que desceu em forma de pomba, no batismo de Jesus.
   Costuma-se dizer que Jesus faz que Jesus faz a "purificação" do Templo. Porém o que ele faz, na verdade, vai muito além, declarando que seu próprio corpo é o novo santuário e que a oferta de sua vida elimina a necessidade de sacrifício de animais. Jesus deixa claro, além disso, que Deus não habita locais onde se explora a fé do povo simples. O Espírito de Deus esta presente em Jesus, e esta presença o torna indestrutível. Podem matá-lo, mas sua morte não será definitiva, pois no terceiro dia ele voltará à vida plena.
   O corpo de Jesus, sendo a morada de Deus, é para o verdadeiro santuário, que nos aproxima do Pai. Na "casa do Pai" somos famílias, e em família não fazemos comércio, mas agimos na gratuidade do amor. Como família-comunidade, pertencemos ao Corpo de Jesus. Unidos a ele, unimo-nos a Deus na liberdade de filhos amados, cujo sofrimento diário a Criador já conhece compromisso com a vida para todos ele como oferta genuína.
          Padre Paulo Bazaglia

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

O DOMÍNIO SOBRE O MAL
   O Texto de Marcos é composto de três pequenas cenas: na casa, no pátio e nas aldeias. Da sinagoga, onde irradia a ideologia (cf. domingo passado), Jesus parte para a casa, lugar da intimidade e da convivência fraterna. A casa é também a comunidade dos discípulos e discípulas.
   Na casa, Jesus encontra a sogra de Pedro prostrada pela febre e, estendendo a mão, levanta-a. Imediatamente a mulher se põe a servir os presentes. À porta, no pátio, levam doentes e endemoniados para serem curados. Do lugar íntimo (casa), a prática de Jesus torna-se pública e a ação libertadora é ofertada a todos. Depois de um momento de oração (no deserto) para recuperar as foças, Jesus parte para aldeias.
   Com a força libertadora de sua palavra, Jesus vence as forças do mal que ameaçam a vidas das pessoas nos vários ambientes de convivência. O evangelho de hoje aponta o caminho da evangelização: iniciando na casa, indo para vizinhança e concluindo nas vilas e cidades.
    Na casa de Jesus não hesita em tocar uma mulher doente. Ele lhe estende a mão e a levanta. O toque, o abraço, é indispensável para quem cuida dos doentes e debilitados. A primeira preocupação de toda ação do evangelizadora deveria ser o necessitado mais próximo, na família. A missão do discípulo e discípula de Jesus é estender a mão a quem necessita para torná-lo livre e, assim, também ele se fazer um servidor.
    A missão de cada cristão, porém, não tem como limite o interior da casa  ou da comunidade: precisa se estender aos vizinhos necessitados. Para isso, é essencial haver momentos de "deserto", que proporcionem o cultivo da comunhão com Deus e renovem o vigor espiritual.
   Com a energia renovada, física e espiritualidade, a missão pode se estender para alguém das fronteiras da casa da vizinhança. Todo seguidor de Jesus deve ser um apaixonado pela vida, a exemplo do Mestre. Não podemos nos conformar com tanto sofrimento, dor e morte. Apatia e indiferença não podem tomar contas de nós. Afinal, somos ou não portadores de uma esperança para as pessoas mais fragilizadas?
            Padre Nilo Luza

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

MESTRE, ONDE MORAS?
   A Igreja a primeira etapa do tempo comum com um texto do Evangelho de João. João Batista proporciona o encontro de Jesus com seus primeiros seguidores quando anuncia: "Eis o Cordeiro de Deus". Porém o papel do Mestre é fundamental quando, diante do interesse dos que se aproximam e onde mora, convida: "Vinde ver".
   Os primeiros seguidores estão convictos de sua decisão, que convidam outros para segui-lo. Sem dúvida o testemunho é essencial, mais eficaz que muitas palavras. Podemos ser levados à presença do Senhor pelo testemunho ou pelas palavras de alguém, mas a decisão e a opção por ele são estritamente pessoais.
   A missão de João Batista é fazer a ligação entre o Antigo e o Novo Testamento: ele prepara o caminho para a chegada de Jesus e o revela como o "Cordeiro de Deus" - título pelo qual os primeiros seguidores foram atraídos e que proclamamos em todas as missas.
   Quando nos dispomos ao seguimento do Mestre, temos de deixar para trás certezas e hábitos adquiridos. Procuramos muitas coisas na vida: coisas fundamentais e superficiais, um sentido, uma direção... O seguimento de Jesus é que nos ajuda a discernir o que é mais importante e onde está o verdadeiro sentido para vida. A pergunta de Jesus continua sendo decisiva e nunca podemos esquecê-las: "O que estais procurando?"
   O discípulo consiste em permanecer sempre com o Mestre e deixar-se iluminar por e guiar por ele. Com o tempo, o rosto de Jesus se revela em todo o seu mistério e compromete seus seguidores com seu projeto de vida digna para todos.
   A pergunta dos discípulos continua a nos incomodar: "Onde moras?" Ele simplesmente nos convida a ir e permanecer sempre com ele. Continuamente nos chama a ir ao seu encontro, desalojando-nos do comodismo. Precisamos nos levantar, segui-lo e fazer experiência pessoal de encontro com ele. Sempre haverá alguém a indicar o caminho, mas tenhamos cuidado, muitos podem nos iludir. Não raro podemos encontrá-lo lá onde há menos barulho e onde menos seria de esperar.
      Padre Nilo Luza

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

O REINO ESTÁ PRÓXIMO
   O começo da pregação de Jesus está relacionado com a profecia - ou com a ameaça de abafá-la. O profeta João Batista tinha sido preso por ter chamado o povo à mudança de vida e por ter enfrentado as lideranças políticas e religiosas. Jesus começa sua pregação, de fato, retomando as palavras de João Batista: "Convertei-vos", ou seja " mudai de mentalidade e de vida", porque o reino de Deus está próximo. Converter-se significa abrir a mão de ideias e ideias, de relacionamentos e coisas para seguir o projeto de Deus.
  Daí vem o outro imperativo: "Crede no evangelho". O evangelho de Jesus é a boa notícia que ele vem anunciar aos pobres, são suas ações de bondade que trazem na vida e alegram os sofredores, é o reino de Deus que ele vem trazer com sua missão.
   Missão que o mestre inicia pelas periferias da Galileia, região de gente simples e necessitada de esperança. Concretamente, Jesus começa chamando pescadores, prometendo apenas transformá-los em "pescadores de homens", ou seja, em gente que trabalhe pelo bem da humanidade. Pois ele quer criar uma comunidade diferente, de pessoas unidas pelo mesmo projeto do Pai, comprometidas com a mesma missão que a sua.
   É assim então que aquelas duas duplas de irmãos de fé e missão. O seguimento de Jesus exige a coragem e prontidão para mudar de vida. Mas aceitar o chamado dele foi apenas o primeiro passo de conversão para aqueles pescadores. Segui-lo implicaria bem mais que uma decisão tomada junto aos barcos. Abandonar a família e o trabalho era o início. Conviver com Jesus dia a dia seria, na prática, o caminho de conversão para eles, caminho de aprendizado para assumir o modo de vida do Mestre e seu projeto que traz o reinado de Deus a este mundo.
  Como aos primeiros discípulos, Jesus continua vindo a nós, encontrando-nos em nossa labuta diária, chamando-nos a trabalhar em favor da humanidade. É sempre tempo de nos convertemos ao Deus dos pequenos e simples e trabalhar para que o evangelho de Jesus continue a nos transformar e a ser boa notícia para o mundo carente da vida.
    Padre Paulo Bazaglia

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

FAMÍLIA: PEQUENA IGREJA
   Ao celebramos a Sagrada Família nossa atenção se volta para nossas famílias. As famílias conhecem muitas dificuldades e desafios, mas também alegrias e esperanças. O Papa Francisco nos lembra:
  "Como é importante às famílias caminhar juntos e ter a mesma meta em visita! Sabemos que temos um percurso comum a realizar, onde encontramos dificuldades, mas também momentos de alegria e consolação. Nessa peregrinação, partilhamos também os momentos da oração. Que poderá haver de mais belo, para um pai e uma mãe, do que abençoar os filhos ao início do dia, e na sua conclusão? Fazer na fronte o sinal da cruz, como no dia batismo? Não será esta oração mais simples que os pais fazem pelos filhos? Abençoá-los, isto é, confiá-los no Senhor, como fizeram os pais de Jesus. Como importante, para a família, encontra-se também para um breve momento de oração antes de tomar as refeições juntos, a fim de agradecer ao Senhor por estes dons e aprender a partilhar o que se recebeu com quem está mais necessitado (...). O perdão é a essência do amor, ele fundamental na família. Aí de nós se Deus não nos perdoasse! É no seio da família que as pessoas são educadas para o perdão (...). Não pecarmos a confiança na família! É bom abrir sempre o coração uns aos outros, sem nada esconder. Onde há amor, também há compreensão e perdão".
   "Rezemos com frequência a bela oração que encontra no final exortação apostólica Amoris Leatitia:
   "Jesus, Maria e José, em vós contemplamos o esplendor do verdadeiro amor; confiantes a vós nos consagramos.
   Sagrada Família de Nazaré, tornai também as nossas famílias em lugares de comunhão e cenáculos de oração, autênticas escolas do evangelho e pequenas igrejas domésticas.
   Sagrada Família de Nazaré, que nunca haja nas famílias episódios de violência, de fechamento e divisão; e quem tiver sido ferido ou escandalizado seja rapidamente consolado e curado.
   Sagrada Família de Nazaré, fazei que todos nos tornemos conscientes do caráter sagrado e inviolável da família, da sua beleza no projeto de Deus.
   Jesus, Maria e José, ouvi-nos e acolhei a nossa súplica. Amém".
            Padre Nilo Luza
Jesus Maria e José, minha família vossa é!
Jesus Cristo nosso único Senhor e Deus da Vida e de todas as coisas que existem no mundo tornai nossa família fielmente a Deus, e fazei de nós uma só família em teu altar, que a tua família sagrada de Nazaré que brilha a luz incessantemente nunca apague e não deixei nós sos.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

TEXTOS DE OUTROS PADRES

POBRES NO ESPÍRITO
   As "bem aventuranças" no início do Sermão da Montanha, são o ensinamento de Jesus sobre a felicidade. A primeira palavra e a oitava bem-aventuranças dão a chave para compreender todas as outras: felizes são pobres de em espírito (que melhor se traduz como "pobres no espírito"); felizes são os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino do céu. Felicidade, para Jesus, é já estar na dinâmica do reinado de Deus.
   Num que identifica a felicidade com riquezas, cargos e títulos, soam desconcertantes as palavras de Jesus, que proclama felizes os perseguidos por buscarem a justiça de Deus; que proclama felizes os que vivem na simplicidade e na pobreza, guiados apenas pelo Espírito Divino.
   É que, deixando guiar pelo Espírito de Deus, os pobres entram na mesma missão de Jesus, vivendo e ensinando, a exemplo do mestre, a solidariedade nas relações, ainda que isso venha acompanhado de perseguições e calúnias.
   Para os que se afligem por buscar a justiça divina, para estes vem a consolação, que não tem nada ver com conformismo. A consolação é a força de Deus que anima a continuar na missão. E a força de Deus se mostra na certeza de que a terra será dos mansos, dos que não são dominados pelo desejo de poder, riquezas ou violência.
   Nesse mundo diferente do Reino, que começa a viver já aqui, o desejo que conta é d de justiça, e o caminho para a justiça de Deus está na misericórdia, na pureza de coração e na promoção da paz.
   O reinado de Deus, de fato já se iniciou neste mundo com a missão de Jesus. Felizes são os que já pertencem a esse reino, com um modo diferente de agir e pensar. Vivendo relações de fraternidade, sendo solidários com os sofredores, buscando quem está excluído aproximando-nos de quem é descartado como lixo, podemos já experimentar o reinado de Deus, que um dia será pleno. Então o Senhor da vida, com sua graça, tornará plena e eterna a felicidade que aqui tivermos vivido, como pobres que deixam guiar por seu Espírito.
   Que todos os santos que hoje celebramos, intercedam a Deus por nós, para que nossa felicidade seja com a deles.
   Padre Paulo Bazaglia

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

TESTEMUNHAR O EVANGELHO COM ALEGRIA
  A campanha Missionária do mês de outubro é um incentivo para a cooperação com a missão de Deus em todo o mundo. Motivados pelo tema: "A alegria do evangelho para uma igreja com saída", juntos queremos viver em estado permanente de missão. O papa Francisco nos anima: "Não deixemos que nos roubem a alegria do evangelho" (EG 83).
  Neste dia mundial das missões, a Sagrada Escritura nos sugere "dar a Deus o que é de Deus" (Mt 22,21). Qual parte pertencente a Deus ainda não estamos lhe dando? Será dar a nós mesmos? "Na doação, a vida se fortalece; e se enfraquece no comodismo e no isolamento" (EG 10). Deus, na realidade, não necessita de nosso dinheiro, ele quer nossa parceria para cooperarmos em sua obra de salvação. Tomar a iniciativa e sair de si para encontrar e servir as pessoas pode ser uma forma sublime de cooperação missionária.
  Além desse apelo a doar-se pela causa missionária, há outras formas de cooperação, como a oração e oferta em favor da evangelização dos povos. O Papa Pio XII, tendo presentes as grandes necessidades universais, instituiu em 1926, o dia mundial das missões. A coleta de hoje destina-se de forma integral, à cooperação missionária, sobretudo em regiões do planeta que mais necessitam. Quem coopera com o projeto de Deus em espírito de partilha já vive a experiência das bem-aventuranças.
  Impulsionar, pois, as Igrejas no Brasil para a animação e cooperação missionária num dinamismo de saída, testemunhando a alegria do evangelho no compromisso "as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angustias dos homens e mulheres de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem" (GS 1), é a intenção primordial desta Campanha Missionária.
   Que as graças advindas das comemorações dos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida façam crescer ainda mais a paixão pela causa missionária e alegria evangélica de fazer tudo o que Jesus disser ( cf. Jo 2,5).
     Padre Maurício da Silva Jardim
Diretor das Pontifícias Obras Missionárias no Brasil

TEXTO DE OUTRO PADRE

ROUPA DE FESTA
   Na parábola de Jesus, Deus envia seus servos para convidar à Festa da Aliança, que é o casamento de seu Filho com a humanidade.
   Profetas e apóstolos vieram da parte de Deus, mas foram ignorados por aqueles que já estavam ocupados com seus afazeres. Mais que ignorados foram maltratados e mortos. Aliás, a história de Jesus, ao falar do rei que incendeia a cidade, aponta para a responsabilidade das autoridades judaicas pela ruína de Jerusalém, no ano 70.
   Os convidados se mostram indignos da Aliança feita no êxodo com Moisés. Foram infiéis à sua parte no acordo: não reconheceram o senhorio de Deus e não conseguiram criar uma sociedade justa e fraterna. Além disso, não reconhecem Jesus o Messias enviado para renovar a Aliança.
  Deus, porém, nunca abandou a Aliança com a humanidade. Com Jesus, Deus renovou este pacto, estendendo o convite a todos os que estavam nas encruzilhadas do mundo, maus ou bons, pecadores e não judeus. Hoje todos somos convidados à Festa da Aliança. 
   Mas não se veste de qualquer jeito quem vai a um festa de casamento. Vai com roupa especial, de festa. Mateus é o evangelho da justiça ao reino de Deus, a roupa que faltava ao homem da parábola era exatamente a prática da justiça. Somente com a prática da justiça é possível praticar da alegria do banquete.
   As comunidades que seguem Jesus não são formadas por gente perfeita. Somos todos imperfeitos, mas convidados a transformar o mundo segundo aquilo que o Mestre ensinou. Contudo, sem prática da justiça do Reino, isto é, sem a justiça que cria relações de solidariedade e fraternidade, não existe felicidade a celebrar o banquete da Aliança, que é o banquete de todos, e não apenas de um seleto grupo de felizardos.
   E se Deus nos convida a todos, é sempre tempo de preparar a própria roupa de festa para o banquete do Filho. Uma roupa que não se encomenda a alfaiate ou costureira, mas preparada com as próprias ações, com prática da justiça ensinada pelo Mestre. É esta roupa, afinal, que vestiremos pela eternidade.
        Padre Paulo Bazaglia

sábado, 14 de outubro de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

CAMINHO DE JUSTIÇA
   Ao chegar a Jerusalém, Jesus vai ao templo e de lá expulsa os comerciantes. Em seguida, no próprio templo, cura os cegos e coxos, mostrando assim sua religião de seu templo, em vez de ajudar as pessoas a se aproximarem de Deus e a criar fraternidade, havia se tornado em exploração dos mais pobres e sofredores. Era uma figueira que não produzia mais frutos.
   A parábola dos dois filhos fala da vinha, que representa o povo de Deus. Jesus acusa as lideranças do seu templo (sacerdotes e anciãos) de não fazerem a vontade do Pai, o dono da vinha. Elas não trabalham para que a vinha produza frutos. Falam e não fazem. Prometem e não cumprem. Conhecem bem a Lei de Deus, mas acabam se perdendo em teorias e regras, longe do "caminho da justiça" do Reino. Pois estas mesmas lideranças haviam transformado a lei do êxodo, lei de fraternidade e vida para todos, em pesado fardo de normas e regras de pureza e impureza, de mérito e castigo, mais a aflição dos que já sofriam com a doença e o preconceito.
  São aqueles considerados malditos, cobradores de impostos e prostitutas, os que entram antes no reino  de Deus. São aqueles que reconhecem a ação de Deus em João Batista, o qual chamava à mudança de mentalidade, ao caminho de justiça que é a vida nova que Jesus vem trazer.
   Entram no reino de Deus, portanto, é reconhecer-se pecador e converter-se, mudar de mentalidade. É superar a justiça da Lei para chegar, pela fé, à justiça do Reino. Justiça que é inseparável da bondade, da misericórdia e das atitudes concretas.
   A parábola de Jesus continua sendo um alerta para nós. Afinal, estamos assumindo na própria vida a vontade de Deus com atitudes concretas? O modo como vivemos a religião ajuda os que mais sofrem a se aproximarem de Deus e sofrer menos? Para as lideranças religiosas e políticas ou qualquer tipo, o alerta é ainda mais sério: se não olharem e seguirem os "malditos pecadores" que se convertem, não entrarão no reino de Deus.
      Padre Paulo Bazaglia

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

O BOM PATRÃO
   Com a parábola de hoje, Mateus conclui o ensinamento de Jesus na Judeia. De lá o Senhor se dirigirá a Jerusalém, onde sofrerá o processo de condenação. Nesse relato, ele compara o reino dos céus ao comportamento de um proprietário que vai em busca de operários para sua vinha. Diferentemente de seus colegas, o patrão da parábola não segue as regras da retribuição proporcional ao serviço prestado. 
   Esse proprietário pode ser chamado de "bom patrão", porque não fica preso à letra fria das leis trabalhistas, mas as transcende, vai além daquilo que elas propõem como mínimo. E o que quer dizer de patrões que não pagam nem o mínimo estabelecido pela lei?
   O "bom patrão" é aquele que procura os desempregados e oferece emprego e salário digno a todos, independentemente da função que desempenham. Paga a todos o adequado para que eles e suas famílias tenham condições básicas de vida, com dignidade. O evangelho não põe em questão a quantia, mas o pagamento suficiente à manutenção da dignidade de cada trabalhador.
   Existem as leis trabalhistas e os sindicatos, que determinam pisos salariais diferentes conforme a função exercida. Mas uma coisa é certa: todos precisam ganhar o suficiente para viver com dignidade. O patrão do evangelho diz que pagará "o quer for justo". Além da justiça humana, não se pode ignorar a justiça divina, que quer respeito e dignidade para todos. O trabalhador não deveria criar desigualdades entre as pessoas, mas, ao contrário, ser fator de igualdade entre elas.
   Também na comunidade, todos os que exercem algum serviço têm o seu valor. Não porque alguém exerce determinada função que é mais do que os outros; todos os servidores da comunidade, merecem reconhecimento e valorização, qualquer que seja a tarefa que assumem.
   A bondade e a justiça de Deus são bons termômetros para nossa conduta de cristãos, discípulos e discípulas seguidores de Jesus. Muitas vezes a bondade de Deus nos constrange e o censuramos por não pensar e agir como nós; não toleramos sua bondade infinita para com todos - a começar pelos mais fragilizados - porque ela questiona a nossa mesquinhez.
         Padre Nilo Luza      

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

CONDENAR OU AJUDAR A RECUPERAR?
  O capítulo 18 de Mateus contém o quatro discurso doutrinal de Jesus, que propõe uma catequese de conveniência comunitária. O texto deste domingo se insere nesse contexto. O mestre sabe que a comunidade não é perfeita e convencida pelos discípulos a superar conflitos no seu interior. O que fazer quando um irmão ou irmã comete algo errado contra alguém ou contra a própria comunidade. 
  A ofensa a um membro da comunidade é algo sério; por isso, cabe buscar reconciliação. Jesus propõe  alguns passos para evitar a injustiça contra o ofensor, que poderia vir a ser condenado ou excluído de forma apressada.
  O primeiro passo é o ofendido ir ao encontro daquele que o ofendeu tentar superar o o conflito. Se não surtir resultado, o segundo passo é buscar a ajuda de uma ou duas pessoas; caso isso não resolva , parte-se para o terceiro passo, envolvendo a comunidade para tentar a solução. Se nem assim houver entendimento - depois de muita oração -, a pessoa poderá ser excluída da comunidade.
  A correção fraterna é sempre uma atividade espinhosa para a pessoa que a realiza ou para a própria comunidade. Por isso, todos esses passos devem ser realizados com amor e muita fé.
  A preocupação de Jesus e tentar evitar a todo custo a condenação ou a exclusão de algum membro da comunidade. A tarefa da correção fraterna é justamente buscar a inclusão da transgressor. Antes de condenar ou excluir, a comunidade tem o compromisso de resgatar. E se um membro da comunidade for desligado da comunidade, não significa necessariamente que está abandonado à própria sorte ou separado de Deus.
  No final do primeiro século da era cristã, começava a haver certo rigorismo nas comunidades, influenciadas pelo legalismo do império romano. As sinagogas também se tornam bastante exigentes, rejeitando os membros que se declaram cristãos. O autor do evangelho chama a atenção para que as comunidades cristãs não adotem tais critérios rigoristas e legalistas. Elas precisam ser espaços de solidariedade e de fraternidade.
       Padre Nilo Luza

sábado, 2 de setembro de 2017

TEXTOS DE OUTROS PADRES

OS DESAFIOS DA IGREJA

   Após promover a partilha do pão que saciou a multidão Jesus se retira para a montanha para rezar, enquanto os discípulos entram na barca e navegam para o outro lado da margem. Nessa travessia, vento põe em risco a barca. Já de madrugada, Jesus aparece aos seus caminhando sobre o mar. Os discípulos são incapazes de reconhecê-lo e se assustam, pensando ver um fantasma. Pedro tenta ir ao encontro do Mestre, quer se comparar a ele, mas mas logo sente o vento contrário e o mar agitado e se apavora, recebendo uma reprimenda de Jesus pela falta de fé.
  Essa cena do evangelho mostra a situação de fraqueza e falta de fé das comunidades, que se sentem ameaçadas pelas ondas adversas no final do primeiro século. Deus, porém, não abandona as comunidades e lhes estende a mão para que tenham certeza da sua presença da sua presença. Coragem, diz-lhes o Mestre, não tenham medo, sou eu.
  A Igreja é convidada a fazer a travessia do mar e não ficar fechada  em si mesma por medo de enfrentar as adversidades da caminhada. Na outra margem do lago há necessidade da missão. A travessia é sempre perigosa e pode amedrontar, mas é necessária para enfrentar os desafios do século 21. Os medos são os piores inimigos de seguimento de Jesus
  As ondas contrárias ao projeto de Jesus são muitas e perigosas; a Igreja não pode se acomodar, fazendo de conta que não tem nada com isso. A ordem de Jesus e categórica: Entrem na barca e atravessem o mar. Hoje também estamos numa travessia difícil, rumo a uma nova maneira de ser Igreja: "em saída", como propõe o Papa Francisco. Exige-se dela coragem e muita confiança para não afundar nas águas do mar.
  Na reação dos discípulos ("é um fantasma") será que se pode ver o juízo da sociedade atual a respeito da Igreja, um "fantasma estrelado"? Muitas vezes mostramos incapazes de sentir a mão estendida de Jesus que nos segura e dá confiança. O Papa Francisco aponta-nos o caminho: sair para as periferias sociais e geográficas.
     Padre Nilo Luza