No quarto domingo da Páscoa, nos três anos do tempo litúrgico, é lida uma passagem do capítulo 10 do Evangelho de João. A alegoria do pastor é uma releitura do capítulo 34 de Ezequiel. Diante do descuidado das autoridades, o profeta anunciara que o próprio Deus iria cuidar do seu rebanho.
Jesus retoma essa imagem e se apresenta, no evangelho deste domingo, como Bom Pastor. Ora, se há o bom pastor, isto é sinal de que pode haver também os maus pastores, ou seja, os mercenários. Quem é o bom e quem é o mau pastor?
O Senhor se apresenta desta forma porque seu povo e o povo o conhece. Conhecer, em sentido bíblico, é uma consciência que cria comunhão, uma relação pessoal de amor e amizade. Conhecer de verdade alguém implica a disposição de pagar o preço de se colocar a seu lado.
Ele é o bom pastor porque dá a vida para que as pessoas a tenham em plenitude. Toda sua prática foi a favor da vida, principalmente dos mais necessitados. Quem ama de verdade é capaz de se doar pela vida do amado e não foge diante do perigo.
É bom pastor porque se preocupa com todos, e não apenas com um pequeno grupo. Jesus não é exclusividade de um único povo. Sua proposta é para todas as pessoas e todos os povos.
Ele não é aquele pastor autoritário que, as vezes, alguns imaginam: um pastor que tolhe a liberdade; que fica vigiando para ver se alguém comete algum deslize; que trata todo mundo como se fosse um "rebanho", negando a individualidade; que controla cada um de seus seguidores... As primeiras comunidades descobriram em Jesus bom pastor a imagem mais querida do Mestre.
Infelizmente lado dos bons pastores, existem também os maus pastores. São os mercenários, que se apenas consigo mesmos e não têm interesse pela vida do povo. O mercenário instrumentaliza as pessoas para seu próprio fim; ele as vê a valoriza à medida que lhe forem "úteis", também (mas não só) financeiramente.
Padre Nilo Luza
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