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segunda-feira, 19 de março de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

O NOVO SANTUÁRIO
    Jesus praticamente inicia a sua missão pública, no Evangelho de São João, entrando no Templo de Jerusalém. Lá ele encontra, em vez de fiéis em oração, vendedores e cambistas. Um comércio tal, que havia transformado a casa de Deus em lugar de exploração, sobretudo dos pobres, com leis religiosas que obrigam os fiéis a comprar bois, ovelhas ou ao menos pombas para sacrificá-las e assim conseguir a reconciliação com Deus.
   Ao fazer um chicote de cordas, Jesus deixa claro que ele é o Messias esperando, aquele que vem para "açoitar" as praticas de injustiça e inaugurar um tempo novo. Ele faz o povo sair daquele centro de exploração, junto com ovelhas e bois. Aliás, as ovelhas na Bíblia muitas vezes representam o próprio povo. Jesus vem tirar do Templo, vem libertar da exploração comercial disfarçada de religião. Ele derruba as mesas e o dinheiro dos cambistas e ordena aos vendedores de pombas (a oferta dos pobres) que tirem tudo de lá. Pois o sacrifício de pombas de nada mais serve diante d'Aquele que desceu em forma de pomba, no batismo de Jesus.
   Costuma-se dizer que Jesus faz que Jesus faz a "purificação" do Templo. Porém o que ele faz, na verdade, vai muito além, declarando que seu próprio corpo é o novo santuário e que a oferta de sua vida elimina a necessidade de sacrifício de animais. Jesus deixa claro, além disso, que Deus não habita locais onde se explora a fé do povo simples. O Espírito de Deus esta presente em Jesus, e esta presença o torna indestrutível. Podem matá-lo, mas sua morte não será definitiva, pois no terceiro dia ele voltará à vida plena.
   O corpo de Jesus, sendo a morada de Deus, é para o verdadeiro santuário, que nos aproxima do Pai. Na "casa do Pai" somos famílias, e em família não fazemos comércio, mas agimos na gratuidade do amor. Como família-comunidade, pertencemos ao Corpo de Jesus. Unidos a ele, unimo-nos a Deus na liberdade de filhos amados, cujo sofrimento diário a Criador já conhece compromisso com a vida para todos ele como oferta genuína.
          Padre Paulo Bazaglia

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