Páginas

sexta-feira, 14 de abril de 2017

TEXTOS DE OUTROS PADRES

INCOMPATIBILIDADE ENTRE DEUS E O DINHEIRO
  Continuamos a ser instruído pelo Sermão da Montanha. O trecho de hoje começa alertando sobre o perigo de transformar a riqueza e o dinheiro em ídolos, a seguir mostra em que depositar a confiança e, por fim, qual deve ser a primeira preocupação de quem segue a Jesus.
  O Mestre da incompatibilidade entre Deus e o dinheiro: não é possível ser leal ao dois senhores opostos. ele condena a idolatria ao dinheiro, quando toma o lugar de Deus. Convertido em ídolo absoluto, o dinheiro torna-se o maior inimigo do mundo desejado por Jesus, mundo fraterno e solidário, Jesus denuncia que o "culto ao dinheiro" é o maior empecilho para a humanidade que pretende ser justa e o maior obstáculo ao reino de Deus.
  A preocupação com muitas coisas é forte aliada da ânsia de acúmulo das pessoas. Por isso Jesus convida a confiar em Deus e aprender da natureza. Toda organização e instituição planejam para bem atuarem; as comunidades avaliam o trabalho e fazem programações: as pessoas preparam-se para bem exercer a futura profissão. O evangelho não questiona tanto a preocupação com o dia de amanhã, mas em quem depositamos a confiança. Preocupar-se tem que ver com prioridade, o que monopoliza o coração. Não é proibida a preocupação com alimento, bebida, vestimenta... A pergunta que Jesus faz é ao que damos maior valor, com o que queremos nos ocupar em primeiro lugar.
  A preocupação primeira deveria se o reino de Deus ("buscai em primeiro lugar o reino de Deus, tudo o mais virá por acréscimo"). O reino pregado por Jesus supõe a satisfação das necessidades básicas de todo ser humano. Aqui está a chave deste evangelho. O Papa Francisco insiste em um economia de inclusão, pois a economia da exclusão e da iniquidade mata. Quando o "culto ao dinheiro" toma conta do coração, " tornamo-nos incapazes de nos compadecer do clamor dos outros, já não choramos diante do drama dos demais" (Papa Francisco).
Padre Nilo Luza  

domingo, 9 de abril de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

SUPERANDO AS TENTAÇÕES
  Antes de iniciar a sua pregação na Galileia, Jesus é conduzido pelo Espírito ao deserto, onde foi tentando por quarenta dias. São dias de provação e superação ,que recordam os quarenta anos de caminhada do povo hebreu rumo à Terra Prometida.
  Jesus venceu a tentação de ter comida e vida fáceis, recusando-se a transformar pedras em pães. Venceu a tentação de ter poder e prestigio negando-se a se submeter ao que é satânico, ou seja, ao projeto de Deus. Venceu a tentação de tentar o próprio Deus, recusando ações e atitudes que deixariam Deus e seu projeto em segundo plano.
  Ao superar as tentações, Jesus mostra que está completamente comprometido com a missão que o Pai lhe confiou. Além disso, as tentações vencidas indicam qual é a missão de Jesus e, consequentemente, a missão dos seus seguidores. Missão de trabalhar incansavelmente pelo pão para todos, no caminho da palavra de Deus, a qual não ilude com soluções mágicas e fáceis. Missão de adorar somente a Deus, único e absoluto, relativizando ideologias e extremismos para buscar a raiz do evangelho, em valores como a compaixão, a solidariedade, a fraternidade e o amor. Missão dar sentido à própria vida e ajudar os outros a fazê-lo também, não se submetendo a nenhuma lógica diabólica que divide as pessoas.
  Iniciemos a Quaresma, somos como que convidados a ir com Jesus ao deserto do silêncio interior, para ouvir de verdade a sua Palavra e deixar que aí ela ecoe. A Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa, seja de fato ocasião para fortalecermos a fé e refletirmos sobre o nosso compromisso com Jesus. O mesmo Espírito que guiou Jesus continua nos guiando. Obedientes à palavra de Deus, confiamos que o Mestre está conosco, ajudando-nos a superar as dificuldades e as tentações.
      Padre Paulo Bazaglia

TEXTO DE OUTRO PADRE

TRANSFIGURAR-NOS À IMAGEM DE JESUS
  Neste domingo somos apresentados à transfiguração de Jesus segundo o Evangelho de Mateus. O anúncio da transfiguração do não se dirige à elite política e religiosa em Jerusalém, grande centro de poder. É feito de forma reservada numa "alta montanha", lugar do encontro com Deus. Lá tudo se transforma: o rosto do Mestre, sua roupas. Moisés e Elias aparecem, representando o Antigo Testamento: as leis dos profetas.
  A referência à montanha recorda o monte Sinai, onde se Deus entregou as tábuas da lei a Moisés. A transfiguração é vista, portanto, como novo êxodo de vida e liberdade para o povo, e Jesus é o novo Moisés que veio para "iluminar" a lei dar-lhe novo sentido.
  A transfiguração é como que a antecipação da glória da ressurreição, que passa antes pela morte na cruz. Sem a cruz não haverá glória plena e plenamente. Na montanha, não compreendendo o sentido da cena e impulsionado pela visão deslumbrante, Pedro cai na tentação de armar ali tendas e fixar morada. Ele não entende que seguir a Jesus não é buscar privilégios nem se acomodar; não é apenas participar da glória de Cristo, mas assumir a missão, sendo solidário e defensor da vida dos crucificados de hoje.
  A voz vinda da nuvem apresenta Jesus como o "Filho amado por Deus" e faz um apelo à comunidade - representada pelos três discípulos - para ouvir o que ele tem a dizer. Ouvir é abrir caminhos para que a Palavra chegue às e transforme os corações. No Sinai, só Moisés ouviu a voz de Deus e se tornou seu porta-voz. Agora todos podem ouvir o Mestre, já não há necessidade de intermediários e todos são porta-vozes do projeto de Jesus. A escuta estabelece relação entre Jesus e seus seguidores.
  É fascinante ficar no cume da montanha, tendo uma visão privilegiada e contemplando ao longe um panorama maravilhoso; mais ainda é cedo para a comunidade se instalar lá. É preciso descer a montanha e se estabelecer na planície, onde vive o povo e a missão acontece, construindo o reino de Deus a partir das "periferias existenciais".
             Padre Nilo Luza

TEXTO DE OUTRO PADRE

JESUS: FONTE DE VIDA SEM FIM
  A ressurreição de Lázaro é o sétimo e último dos sinais apresentados por João no seu evangelho. O relato mostra Jesus como defensor da vida. A vida comunicada por ele aos seus com o dom do Espírito vence a morte e traz a ressurreição. A cena torna-se oportunidade para Jesus revelar seu empenho em favor da vida.
  Nela, além de Jesus, aparecem mais três personagens relevantes: os irmãos de Lázaro, Marta e Maria. Lázaro é o morto que já foi enterrado e o motivo da vinda de Jesus. Marta vai ao encontro do Senhor e diz acreditar que, se ele estivesse presente, o irmão não teria morrido. Ademais, ela testemunhava a fé na ressurreição e em Jesus, o Filho de Deus. Maria "faz sala" às visitas e chora a morte do irmão, comovendo o Mestre. 
  Na ressurreição de Lázaro se manifestem a glória de Deus e o sentido mais profundo da obra que Jesus veio realizar: a passagem da morte para a vida daqueles que nele acreditam. Jesus, que é a ressurreição e a vida, mostra que a morte é uma necessidade física para herdarmos a vida plena em Deus. A morte não interrompe a vida, apenas abre a passagem para eternidade.
  O evangelho ressalta a humanidade de Jesus, alguém capaz de chorar com os que choram e se compadecer dos que sofrem. Ao ver a amiga chorar, também cai no choro - algo normal num ser humano. Diante da morte, a exemplo de Jesus, podemos chorar e devemos confiar em Deus, pois ele é mais forte do que a morte e deseja a todos vida eterna e plena.
  O relato de hoje aponta para a ressurreição de Jesus, com uma pequena, mas importante diferença: Lázaro saiu amarrado com as mortalhas, o que significa que ele necessitava ser libertado das amarras da morte e não estava livre da morte biológica - um dia voltaria ao túmulo; Jesus, ao contrario, deixou os sinais de morte (lençol e sudário) no túmulo, nunca mais seria novamente atado pela morte - venceu-a para sempre.
            Padre Nilo Luza