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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

MESTRE, ONDE MORAS?
   A Igreja a primeira etapa do tempo comum com um texto do Evangelho de João. João Batista proporciona o encontro de Jesus com seus primeiros seguidores quando anuncia: "Eis o Cordeiro de Deus". Porém o papel do Mestre é fundamental quando, diante do interesse dos que se aproximam e onde mora, convida: "Vinde ver".
   Os primeiros seguidores estão convictos de sua decisão, que convidam outros para segui-lo. Sem dúvida o testemunho é essencial, mais eficaz que muitas palavras. Podemos ser levados à presença do Senhor pelo testemunho ou pelas palavras de alguém, mas a decisão e a opção por ele são estritamente pessoais.
   A missão de João Batista é fazer a ligação entre o Antigo e o Novo Testamento: ele prepara o caminho para a chegada de Jesus e o revela como o "Cordeiro de Deus" - título pelo qual os primeiros seguidores foram atraídos e que proclamamos em todas as missas.
   Quando nos dispomos ao seguimento do Mestre, temos de deixar para trás certezas e hábitos adquiridos. Procuramos muitas coisas na vida: coisas fundamentais e superficiais, um sentido, uma direção... O seguimento de Jesus é que nos ajuda a discernir o que é mais importante e onde está o verdadeiro sentido para vida. A pergunta de Jesus continua sendo decisiva e nunca podemos esquecê-las: "O que estais procurando?"
   O discípulo consiste em permanecer sempre com o Mestre e deixar-se iluminar por e guiar por ele. Com o tempo, o rosto de Jesus se revela em todo o seu mistério e compromete seus seguidores com seu projeto de vida digna para todos.
   A pergunta dos discípulos continua a nos incomodar: "Onde moras?" Ele simplesmente nos convida a ir e permanecer sempre com ele. Continuamente nos chama a ir ao seu encontro, desalojando-nos do comodismo. Precisamos nos levantar, segui-lo e fazer experiência pessoal de encontro com ele. Sempre haverá alguém a indicar o caminho, mas tenhamos cuidado, muitos podem nos iludir. Não raro podemos encontrá-lo lá onde há menos barulho e onde menos seria de esperar.
      Padre Nilo Luza

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

O REINO ESTÁ PRÓXIMO
   O começo da pregação de Jesus está relacionado com a profecia - ou com a ameaça de abafá-la. O profeta João Batista tinha sido preso por ter chamado o povo à mudança de vida e por ter enfrentado as lideranças políticas e religiosas. Jesus começa sua pregação, de fato, retomando as palavras de João Batista: "Convertei-vos", ou seja " mudai de mentalidade e de vida", porque o reino de Deus está próximo. Converter-se significa abrir a mão de ideias e ideias, de relacionamentos e coisas para seguir o projeto de Deus.
  Daí vem o outro imperativo: "Crede no evangelho". O evangelho de Jesus é a boa notícia que ele vem anunciar aos pobres, são suas ações de bondade que trazem na vida e alegram os sofredores, é o reino de Deus que ele vem trazer com sua missão.
   Missão que o mestre inicia pelas periferias da Galileia, região de gente simples e necessitada de esperança. Concretamente, Jesus começa chamando pescadores, prometendo apenas transformá-los em "pescadores de homens", ou seja, em gente que trabalhe pelo bem da humanidade. Pois ele quer criar uma comunidade diferente, de pessoas unidas pelo mesmo projeto do Pai, comprometidas com a mesma missão que a sua.
   É assim então que aquelas duas duplas de irmãos de fé e missão. O seguimento de Jesus exige a coragem e prontidão para mudar de vida. Mas aceitar o chamado dele foi apenas o primeiro passo de conversão para aqueles pescadores. Segui-lo implicaria bem mais que uma decisão tomada junto aos barcos. Abandonar a família e o trabalho era o início. Conviver com Jesus dia a dia seria, na prática, o caminho de conversão para eles, caminho de aprendizado para assumir o modo de vida do Mestre e seu projeto que traz o reinado de Deus a este mundo.
  Como aos primeiros discípulos, Jesus continua vindo a nós, encontrando-nos em nossa labuta diária, chamando-nos a trabalhar em favor da humanidade. É sempre tempo de nos convertemos ao Deus dos pequenos e simples e trabalhar para que o evangelho de Jesus continue a nos transformar e a ser boa notícia para o mundo carente da vida.
    Padre Paulo Bazaglia

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

FAMÍLIA: PEQUENA IGREJA
   Ao celebramos a Sagrada Família nossa atenção se volta para nossas famílias. As famílias conhecem muitas dificuldades e desafios, mas também alegrias e esperanças. O Papa Francisco nos lembra:
  "Como é importante às famílias caminhar juntos e ter a mesma meta em visita! Sabemos que temos um percurso comum a realizar, onde encontramos dificuldades, mas também momentos de alegria e consolação. Nessa peregrinação, partilhamos também os momentos da oração. Que poderá haver de mais belo, para um pai e uma mãe, do que abençoar os filhos ao início do dia, e na sua conclusão? Fazer na fronte o sinal da cruz, como no dia batismo? Não será esta oração mais simples que os pais fazem pelos filhos? Abençoá-los, isto é, confiá-los no Senhor, como fizeram os pais de Jesus. Como importante, para a família, encontra-se também para um breve momento de oração antes de tomar as refeições juntos, a fim de agradecer ao Senhor por estes dons e aprender a partilhar o que se recebeu com quem está mais necessitado (...). O perdão é a essência do amor, ele fundamental na família. Aí de nós se Deus não nos perdoasse! É no seio da família que as pessoas são educadas para o perdão (...). Não pecarmos a confiança na família! É bom abrir sempre o coração uns aos outros, sem nada esconder. Onde há amor, também há compreensão e perdão".
   "Rezemos com frequência a bela oração que encontra no final exortação apostólica Amoris Leatitia:
   "Jesus, Maria e José, em vós contemplamos o esplendor do verdadeiro amor; confiantes a vós nos consagramos.
   Sagrada Família de Nazaré, tornai também as nossas famílias em lugares de comunhão e cenáculos de oração, autênticas escolas do evangelho e pequenas igrejas domésticas.
   Sagrada Família de Nazaré, que nunca haja nas famílias episódios de violência, de fechamento e divisão; e quem tiver sido ferido ou escandalizado seja rapidamente consolado e curado.
   Sagrada Família de Nazaré, fazei que todos nos tornemos conscientes do caráter sagrado e inviolável da família, da sua beleza no projeto de Deus.
   Jesus, Maria e José, ouvi-nos e acolhei a nossa súplica. Amém".
            Padre Nilo Luza
Jesus Maria e José, minha família vossa é!
Jesus Cristo nosso único Senhor e Deus da Vida e de todas as coisas que existem no mundo tornai nossa família fielmente a Deus, e fazei de nós uma só família em teu altar, que a tua família sagrada de Nazaré que brilha a luz incessantemente nunca apague e não deixei nós sos.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

TEXTOS DE OUTROS PADRES

POBRES NO ESPÍRITO
   As "bem aventuranças" no início do Sermão da Montanha, são o ensinamento de Jesus sobre a felicidade. A primeira palavra e a oitava bem-aventuranças dão a chave para compreender todas as outras: felizes são pobres de em espírito (que melhor se traduz como "pobres no espírito"); felizes são os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino do céu. Felicidade, para Jesus, é já estar na dinâmica do reinado de Deus.
   Num que identifica a felicidade com riquezas, cargos e títulos, soam desconcertantes as palavras de Jesus, que proclama felizes os perseguidos por buscarem a justiça de Deus; que proclama felizes os que vivem na simplicidade e na pobreza, guiados apenas pelo Espírito Divino.
   É que, deixando guiar pelo Espírito de Deus, os pobres entram na mesma missão de Jesus, vivendo e ensinando, a exemplo do mestre, a solidariedade nas relações, ainda que isso venha acompanhado de perseguições e calúnias.
   Para os que se afligem por buscar a justiça divina, para estes vem a consolação, que não tem nada ver com conformismo. A consolação é a força de Deus que anima a continuar na missão. E a força de Deus se mostra na certeza de que a terra será dos mansos, dos que não são dominados pelo desejo de poder, riquezas ou violência.
   Nesse mundo diferente do Reino, que começa a viver já aqui, o desejo que conta é d de justiça, e o caminho para a justiça de Deus está na misericórdia, na pureza de coração e na promoção da paz.
   O reinado de Deus, de fato já se iniciou neste mundo com a missão de Jesus. Felizes são os que já pertencem a esse reino, com um modo diferente de agir e pensar. Vivendo relações de fraternidade, sendo solidários com os sofredores, buscando quem está excluído aproximando-nos de quem é descartado como lixo, podemos já experimentar o reinado de Deus, que um dia será pleno. Então o Senhor da vida, com sua graça, tornará plena e eterna a felicidade que aqui tivermos vivido, como pobres que deixam guiar por seu Espírito.
   Que todos os santos que hoje celebramos, intercedam a Deus por nós, para que nossa felicidade seja com a deles.
   Padre Paulo Bazaglia

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

TESTEMUNHAR O EVANGELHO COM ALEGRIA
  A campanha Missionária do mês de outubro é um incentivo para a cooperação com a missão de Deus em todo o mundo. Motivados pelo tema: "A alegria do evangelho para uma igreja com saída", juntos queremos viver em estado permanente de missão. O papa Francisco nos anima: "Não deixemos que nos roubem a alegria do evangelho" (EG 83).
  Neste dia mundial das missões, a Sagrada Escritura nos sugere "dar a Deus o que é de Deus" (Mt 22,21). Qual parte pertencente a Deus ainda não estamos lhe dando? Será dar a nós mesmos? "Na doação, a vida se fortalece; e se enfraquece no comodismo e no isolamento" (EG 10). Deus, na realidade, não necessita de nosso dinheiro, ele quer nossa parceria para cooperarmos em sua obra de salvação. Tomar a iniciativa e sair de si para encontrar e servir as pessoas pode ser uma forma sublime de cooperação missionária.
  Além desse apelo a doar-se pela causa missionária, há outras formas de cooperação, como a oração e oferta em favor da evangelização dos povos. O Papa Pio XII, tendo presentes as grandes necessidades universais, instituiu em 1926, o dia mundial das missões. A coleta de hoje destina-se de forma integral, à cooperação missionária, sobretudo em regiões do planeta que mais necessitam. Quem coopera com o projeto de Deus em espírito de partilha já vive a experiência das bem-aventuranças.
  Impulsionar, pois, as Igrejas no Brasil para a animação e cooperação missionária num dinamismo de saída, testemunhando a alegria do evangelho no compromisso "as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angustias dos homens e mulheres de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem" (GS 1), é a intenção primordial desta Campanha Missionária.
   Que as graças advindas das comemorações dos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida façam crescer ainda mais a paixão pela causa missionária e alegria evangélica de fazer tudo o que Jesus disser ( cf. Jo 2,5).
     Padre Maurício da Silva Jardim
Diretor das Pontifícias Obras Missionárias no Brasil

TEXTO DE OUTRO PADRE

ROUPA DE FESTA
   Na parábola de Jesus, Deus envia seus servos para convidar à Festa da Aliança, que é o casamento de seu Filho com a humanidade.
   Profetas e apóstolos vieram da parte de Deus, mas foram ignorados por aqueles que já estavam ocupados com seus afazeres. Mais que ignorados foram maltratados e mortos. Aliás, a história de Jesus, ao falar do rei que incendeia a cidade, aponta para a responsabilidade das autoridades judaicas pela ruína de Jerusalém, no ano 70.
   Os convidados se mostram indignos da Aliança feita no êxodo com Moisés. Foram infiéis à sua parte no acordo: não reconheceram o senhorio de Deus e não conseguiram criar uma sociedade justa e fraterna. Além disso, não reconhecem Jesus o Messias enviado para renovar a Aliança.
  Deus, porém, nunca abandou a Aliança com a humanidade. Com Jesus, Deus renovou este pacto, estendendo o convite a todos os que estavam nas encruzilhadas do mundo, maus ou bons, pecadores e não judeus. Hoje todos somos convidados à Festa da Aliança. 
   Mas não se veste de qualquer jeito quem vai a um festa de casamento. Vai com roupa especial, de festa. Mateus é o evangelho da justiça ao reino de Deus, a roupa que faltava ao homem da parábola era exatamente a prática da justiça. Somente com a prática da justiça é possível praticar da alegria do banquete.
   As comunidades que seguem Jesus não são formadas por gente perfeita. Somos todos imperfeitos, mas convidados a transformar o mundo segundo aquilo que o Mestre ensinou. Contudo, sem prática da justiça do Reino, isto é, sem a justiça que cria relações de solidariedade e fraternidade, não existe felicidade a celebrar o banquete da Aliança, que é o banquete de todos, e não apenas de um seleto grupo de felizardos.
   E se Deus nos convida a todos, é sempre tempo de preparar a própria roupa de festa para o banquete do Filho. Uma roupa que não se encomenda a alfaiate ou costureira, mas preparada com as próprias ações, com prática da justiça ensinada pelo Mestre. É esta roupa, afinal, que vestiremos pela eternidade.
        Padre Paulo Bazaglia

sábado, 14 de outubro de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

CAMINHO DE JUSTIÇA
   Ao chegar a Jerusalém, Jesus vai ao templo e de lá expulsa os comerciantes. Em seguida, no próprio templo, cura os cegos e coxos, mostrando assim sua religião de seu templo, em vez de ajudar as pessoas a se aproximarem de Deus e a criar fraternidade, havia se tornado em exploração dos mais pobres e sofredores. Era uma figueira que não produzia mais frutos.
   A parábola dos dois filhos fala da vinha, que representa o povo de Deus. Jesus acusa as lideranças do seu templo (sacerdotes e anciãos) de não fazerem a vontade do Pai, o dono da vinha. Elas não trabalham para que a vinha produza frutos. Falam e não fazem. Prometem e não cumprem. Conhecem bem a Lei de Deus, mas acabam se perdendo em teorias e regras, longe do "caminho da justiça" do Reino. Pois estas mesmas lideranças haviam transformado a lei do êxodo, lei de fraternidade e vida para todos, em pesado fardo de normas e regras de pureza e impureza, de mérito e castigo, mais a aflição dos que já sofriam com a doença e o preconceito.
  São aqueles considerados malditos, cobradores de impostos e prostitutas, os que entram antes no reino  de Deus. São aqueles que reconhecem a ação de Deus em João Batista, o qual chamava à mudança de mentalidade, ao caminho de justiça que é a vida nova que Jesus vem trazer.
   Entram no reino de Deus, portanto, é reconhecer-se pecador e converter-se, mudar de mentalidade. É superar a justiça da Lei para chegar, pela fé, à justiça do Reino. Justiça que é inseparável da bondade, da misericórdia e das atitudes concretas.
   A parábola de Jesus continua sendo um alerta para nós. Afinal, estamos assumindo na própria vida a vontade de Deus com atitudes concretas? O modo como vivemos a religião ajuda os que mais sofrem a se aproximarem de Deus e sofrer menos? Para as lideranças religiosas e políticas ou qualquer tipo, o alerta é ainda mais sério: se não olharem e seguirem os "malditos pecadores" que se convertem, não entrarão no reino de Deus.
      Padre Paulo Bazaglia