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segunda-feira, 30 de abril de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

PERMANECER EM JESUS
  A videira, ao longo da Bíblia, representa o povo de Deus. Povo que Deus ama e do qual cuida, mas que nunca havia dado os frutos de vida que ele desejava, mesmo com os "trabalhadores" (os profetas) que ensinava para proporcionar-lhe cuidado.
   Ao dizer que ele mesmo é a verdadeira videira, Jesus mostra que o povo agora são os ramos que estão unidos a ele pelo amor, alimentando-se da mesma seiva da vida - o Espírito Santo - para dar frutos.
   A questão, portanto, é produzir ou não frutos; é permanecer ou não em Jesus. Não se trata, pois, de permanecer "com" Jesus, mas "em" Jesus, vivendo a mesma vida que ele, assumindo seus mesmo sentimentos e atitudes, como ramos que são extensão do único tronco.
   O Pai, agricultor que ama a videira - Jesus com seus ramos " e dela cuida, não deixa que os ramos que não deixa que não dão fruto a enfraqueçam. A seiva, Espírito Santo vivificador, continua a correr pelos ramos que dão fruto, os quais o Pai limpa por meio da Palavra de Jesus.
    Estando unidos a Jesus, permanecendo nele como ele permanece no Pai, os discípulos são vivificados pelo Espírito Santo e, por meio do aprendizado continuo com Palavra do Mestre, podem cumprir a missão de dar muito fruto.
    É este, portanto, o tempo privilegiado para permanecer no Mestre ressuscitado. Permanecer unidos a ele não para cortar pessoas de nossa vida, como se fôssemos os ramos bons e os outros fossem destinados ao fogo; na verdade, se a poda de ramos é da competência do Pai, o agricultor, e não nossa, estar unido a Jesus requer que cada um se dedique a podar em si mesmo mentalidades e atitudes contrárias aos frutos de vida que Deus quer.
    É tempo de permanecer firmes no testemunho da misericórdia e do amor incondicional, pois é isso nos mantem unidos a Jesus.
    É tempo de glorificar o Pai, produzindo frutos de vida com o mestre, nossa verdadeira videira, sem o qual "nada podemos fazer"
Padre Paulo Bazaglia

sábado, 28 de abril de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

PASTORES COMPROMETIDOS
   No quarto domingo da Páscoa, nos três anos do tempo litúrgico, é lida uma passagem do capítulo 10 do Evangelho de João. A alegoria do pastor é uma releitura do capítulo 34 de Ezequiel. Diante do descuidado das autoridades, o profeta anunciara que o próprio Deus iria cuidar do seu rebanho. 
  Jesus retoma essa imagem e se apresenta, no evangelho deste domingo, como Bom Pastor. Ora, se há o bom pastor, isto é sinal de que pode haver também os maus pastores, ou seja, os mercenários. Quem é o bom e quem é o mau pastor?
   O Senhor se apresenta desta forma porque seu povo e o povo o conhece. Conhecer, em sentido bíblico, é uma consciência que cria comunhão, uma relação pessoal de amor e amizade. Conhecer de verdade alguém implica a disposição de pagar o preço de se colocar a seu lado.
   Ele é o bom pastor porque dá a vida para que as pessoas a tenham em plenitude. Toda sua prática foi a favor da vida, principalmente dos mais necessitados. Quem ama de verdade é capaz de se doar pela vida do amado e não foge diante do perigo. 
   É bom pastor porque se preocupa com todos, e não apenas com um pequeno grupo. Jesus não é exclusividade de um único povo. Sua proposta é para todas as pessoas e todos os povos.
   Ele não é aquele pastor autoritário que, as vezes, alguns imaginam: um pastor que tolhe a liberdade; que fica vigiando para ver se alguém comete algum deslize; que trata todo mundo como se fosse um "rebanho", negando a individualidade; que controla cada um de seus seguidores... As primeiras comunidades descobriram em Jesus bom pastor a imagem mais querida do Mestre.
   Infelizmente lado dos bons pastores, existem também os maus pastores. São os mercenários, que se apenas consigo mesmos e não têm interesse pela vida do povo. O mercenário instrumentaliza as pessoas para seu próprio fim; ele as vê a valoriza à medida que lhe forem "úteis", também (mas não só) financeiramente.
Padre Nilo Luza

domingo, 15 de abril de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

ENCONTRO QUE TRANSFORMA
   Depois da ressurreição de Jesus, os discípulos tiveram de passar por experiências que lhes permitissem compreender que a morte não tem a última palavra, que o Mestre estava vivo, que continua a caminhar com eles, que os alimentava com sua Palavra e que podia ser reconhecido na partilha do pão.
    O Ressuscitado aparece no meio da comunidade e deseja a paz. Ele, que tinha conduzindo os discípulos e ensinando novo modo de ser e de agir, continua o centro da comunidade. Jesus deseja a paz, que é a vida com dignidade para todos o anseio mais genuíno dos corações humanos.
   Os discípulos precisaram superar o susto e o medo para reconhecer o Mestre vivo, com as marcas da crucifixão, comendo peixe diante deles. O encontro com o Ressuscitado é que lhes abriu a mente para compreender o alcance da Escritura, que falava de um Servo Sofredor que ressuscitaria ao terceiro dia. Para compreenderem, afinal, que a Escritura falava da missão deles mesmos: missão de testemunhar a todos a vida nova que vem do Mestre que sofreu e ressuscitou. Vida nova que se testemunha anunciando a conversão e o perdão dos pecados a todos.
  De Jerusalém até os confins da terra, do medo que se fecha a comunidade em si mesma à coragem e alegria de anunciar o Ressuscitado, os discípulos precisaram passar por experiências de encontro com o Mestre. O testemunho cristão, portanto, requer de nós hoje o mesmo encontro, contínuo, com o Ressuscitado Jesus de Nazaré, quele Mestre que viveu e ensinou a viver entregando a vida pelo outro.
   Neste tempo de Páscoa, renovamos nosso empenho para que Jesus seja de fato centro de nossa vida, da vida de nossas comunidades, para que continuemos a nos transformar e a transformar o mundo, tocando as preocupações e as dúvidas pela fé ativa de quem se compromete com a construção da paz. Afinal, qual é a vida nova que estamos testemunhando para o mundo de hoje?
       Padre Paulo Bazaglia

sexta-feira, 13 de abril de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

VENCER O MEDO PARA EVANGELIZAR
   Tudo aconteceu no primeiro dia da semana, tanto na primeira cena, (com Tomé ausente). Os discípulos estão trancados por medo. O Ressuscitado aparece-lhes e lhes mostra os sinais da paixão, para dizer que é ele mesmo, não um fantasma. Deseja-lhes a paz e lhes concede o Espírito Santo, que os acompanhará na missão à qual foram enviados.
   O Concílio Vaticano II propõe abrir as portas e janelas da Igreja para arejá-la. Dois mil anos antes, Jesus já alertava os discípulos para que saíssem, lançando-se à missão, e não ficassem trancados - com medo - entre quatro paredes.
   O Papa Francisco incentiva continuamente a Igreja a sair e ir às periferias sociais e existenciais, onde a vida é maltratada e diminuída por motivos diversos - entre os quais, o descuido por partes das autoridades construídas.
   Avançando a passos largos no terceiro milênio da era cristã, já não estamos o direito de continuar dormir, presos à mentalidade de séculos passados. Está na hora de arejar mentes e corações, manter-nos atentos aos sinais do tempo e perceber os novos desafios que a atual "mudança de época" nos impõe.  
   O documento de Aparecida nos chama a ser discípulos e missionários. Discípulos sempre atentos à mensagem do Mestre, para aprender com ele, e missionários enviados a levar a paz (desafios sempre maior, haja vista as múltiplas formas de violência( e a reconciliação a uma sociedade cada vez mais arrogante e intolerante.
  Já fomos iluminados pelo Espírito Santo e, portanto, é o momento de assumir a missão que Jesus nos deixou. O Documento de Aparecida continua a nos advertir de que "não temos outra felicidade nem outra prioridade senão a de sermos instrumentos do Espírito de Deus na Igreja, para que Jesus Cristo seja encontrado e anunciado a todos" (DAp  14).
  O Espírito Santo animou as primeiras comunidades cristãs; ele há de iluminar e encorajar também a Igreja de hoje. Sem ele, a Igreja se fecha em seu casulo e deixa de assumir o compromisso da evangelização.
    Padre Nilo Luza

terça-feira, 3 de abril de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

SINAS DA RESSURREIÇÃO
   O primeiro dia da semana inaugura a nova criação de Deus, o tempo da Ressurreição, da vida que venceu a morte. Maria Madalena, Pedro e João representam os primeiros seguidores, que ainda não haviam compreendido o poder infinito de vida que estava em Jesus. Uma comunidade desorientada, que busca o Mestre morto no sepulcro.
   Maria Madalena é a primeira a encontrar algo inesperado: o sepulcro aberto. Ela nem se quer olha o que há lá dentro e vai contar a Pedro e João, supondo que alguém tivesse roubado o corpo do Senhor.
   A corrida dos dois discípulos ao sepulcro é a corrida simbólica da fé, e quem chega primeiro é Discípulo Amado. Chega antes quem ama e vive a relação do amor e da amizade com Jesus. É o último a ver os sinais, mas o primeiro a acreditar. 
   Os sinais do sepulcro vazio foram deixados aos seguidores de todos os tempos, também a nós: um lençol ou faixas de linho estendidas, e um sudário enrolado num lugar à parte.
   Jesus não se manteve preso as faixas que envolviam seu corpo crucificado. Ressuscitou. Venceu o poder da morte, saiu do sepulcro para a vida. As faixas ou lençóis estendidos representam a vida nova, pois fazem pensar num ambiente preparado para a consumação de um casamento: a aliança definitiva entre o Esposo ressuscitado e nova humanidade.
   Ao pensar o detalhe do sudário deixado num "lugar" à parte, o Templo de Jerusalém e a ordem injusta ali estabelecida, afirmar o "lugar" por excelência, o corpo de Jesus ressuscitado, como o novo santuário para toda a humanidade. Pois, de fato, os que foram ao túmulo à procura do corpo de Jesus saíram de lá como Corpo de Cristo.
   Quem ama vê os sinais e acredita. Na corrida de nossa fé, encontraremos sempre um sepulcro vazio, encontraremos tatos sofrimentos injustos, tantas mortes prematuras. O Ressuscitado, porém, vai nos deixar sempre os sinais de sua vitória, para seguirmos além, anunciando ao mundo que seu amor está em nós, é maior que tudo e supera tudo.
   Padre Paulo Bazaglia