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domingo, 25 de março de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

DESEJO DE VER JESUS
   Muitos procuram ver e conhecer Jesus. Alguns gregos (não judeus) mostram-se interessados em conhecê-lo e manifestam esse desejo de Felipe. Ao saber disso, Jesus não estabelece conversa com eles, mas anuncia aos discípulos a chegada de sua hora. Desde o começo, o evangelista João aponta para o momento da "hora" de Jesus, ou seja, da sua glorificação".
   Provavelmente o interesse daqueles gregos surgiu pelo fato de terem sido alcançados pelo amor vivido por Jesus. Esse amor é expresso quando o Mestre diz ser necessário morrer para produzir vida, como o grão de trigo. O amor, invisível, só se se revela nos sinais concretos que alguém realiza. Jesus optou pelo serviço, pelo esvaziar-se a si mesmo, para que outros tivessem vida. Em outras palavras, chegou a esse ponto porque, ao longo de sua caminhada, procurou defender a vida dos que a tinham diminuída ou ameaçada. A defesa e promoção dos pobres provocaram conflitos com os sustentadores de uma sociedade injusta, que cria empobrecidos. 
  Jesus nos mostra que fechar-se em si mesmo é perder o sentido da vida, pois ela se plenifica quando é posta a serviço do bem dos outros. Quem vive apenas para si mesmo e com preocupações exclusivas com o dinheiro, com o próprio sucesso, bem-estar e segurança, acaba se limitando a uma vida medíocre e estéril. É como o grão que permanece apenas grão, sem nada produzir. A metáfora do grão mostra que a morte é condição para liberar o germe da vida, isto é, a energia vital que a semente contém.
  O interesse dos gregos em conhecer Jesus é compartilhado hoje por muitas pessoas. Algumas apenas por curiosidade, outras por entenderem e admirarem seu projeto e nele querem se engajar. O desejo de vê-lo significa a disposição de deixar-se transformar por sua presença. Não basta apenas saber quem é Jesus; o importante é se comprometer com ele  e com seu reino. Seremos cristãos autênticos à medida que nos sentirmos atraídos pelo Senhor e fizermos experiência com ele, seguindo-o  na cruz e na glória.
      Padre Nilo Luza

segunda-feira, 19 de março de 2018

TEXTO DE OUTRO PADRE

O NOVO SANTUÁRIO
    Jesus praticamente inicia a sua missão pública, no Evangelho de São João, entrando no Templo de Jerusalém. Lá ele encontra, em vez de fiéis em oração, vendedores e cambistas. Um comércio tal, que havia transformado a casa de Deus em lugar de exploração, sobretudo dos pobres, com leis religiosas que obrigam os fiéis a comprar bois, ovelhas ou ao menos pombas para sacrificá-las e assim conseguir a reconciliação com Deus.
   Ao fazer um chicote de cordas, Jesus deixa claro que ele é o Messias esperando, aquele que vem para "açoitar" as praticas de injustiça e inaugurar um tempo novo. Ele faz o povo sair daquele centro de exploração, junto com ovelhas e bois. Aliás, as ovelhas na Bíblia muitas vezes representam o próprio povo. Jesus vem tirar do Templo, vem libertar da exploração comercial disfarçada de religião. Ele derruba as mesas e o dinheiro dos cambistas e ordena aos vendedores de pombas (a oferta dos pobres) que tirem tudo de lá. Pois o sacrifício de pombas de nada mais serve diante d'Aquele que desceu em forma de pomba, no batismo de Jesus.
   Costuma-se dizer que Jesus faz que Jesus faz a "purificação" do Templo. Porém o que ele faz, na verdade, vai muito além, declarando que seu próprio corpo é o novo santuário e que a oferta de sua vida elimina a necessidade de sacrifício de animais. Jesus deixa claro, além disso, que Deus não habita locais onde se explora a fé do povo simples. O Espírito de Deus esta presente em Jesus, e esta presença o torna indestrutível. Podem matá-lo, mas sua morte não será definitiva, pois no terceiro dia ele voltará à vida plena.
   O corpo de Jesus, sendo a morada de Deus, é para o verdadeiro santuário, que nos aproxima do Pai. Na "casa do Pai" somos famílias, e em família não fazemos comércio, mas agimos na gratuidade do amor. Como família-comunidade, pertencemos ao Corpo de Jesus. Unidos a ele, unimo-nos a Deus na liberdade de filhos amados, cujo sofrimento diário a Criador já conhece compromisso com a vida para todos ele como oferta genuína.
          Padre Paulo Bazaglia