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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

CONDENAR OU AJUDAR A RECUPERAR?
  O capítulo 18 de Mateus contém o quatro discurso doutrinal de Jesus, que propõe uma catequese de conveniência comunitária. O texto deste domingo se insere nesse contexto. O mestre sabe que a comunidade não é perfeita e convencida pelos discípulos a superar conflitos no seu interior. O que fazer quando um irmão ou irmã comete algo errado contra alguém ou contra a própria comunidade. 
  A ofensa a um membro da comunidade é algo sério; por isso, cabe buscar reconciliação. Jesus propõe  alguns passos para evitar a injustiça contra o ofensor, que poderia vir a ser condenado ou excluído de forma apressada.
  O primeiro passo é o ofendido ir ao encontro daquele que o ofendeu tentar superar o o conflito. Se não surtir resultado, o segundo passo é buscar a ajuda de uma ou duas pessoas; caso isso não resolva , parte-se para o terceiro passo, envolvendo a comunidade para tentar a solução. Se nem assim houver entendimento - depois de muita oração -, a pessoa poderá ser excluída da comunidade.
  A correção fraterna é sempre uma atividade espinhosa para a pessoa que a realiza ou para a própria comunidade. Por isso, todos esses passos devem ser realizados com amor e muita fé.
  A preocupação de Jesus e tentar evitar a todo custo a condenação ou a exclusão de algum membro da comunidade. A tarefa da correção fraterna é justamente buscar a inclusão da transgressor. Antes de condenar ou excluir, a comunidade tem o compromisso de resgatar. E se um membro da comunidade for desligado da comunidade, não significa necessariamente que está abandonado à própria sorte ou separado de Deus.
  No final do primeiro século da era cristã, começava a haver certo rigorismo nas comunidades, influenciadas pelo legalismo do império romano. As sinagogas também se tornam bastante exigentes, rejeitando os membros que se declaram cristãos. O autor do evangelho chama a atenção para que as comunidades cristãs não adotem tais critérios rigoristas e legalistas. Elas precisam ser espaços de solidariedade e de fraternidade.
       Padre Nilo Luza

sábado, 2 de setembro de 2017

TEXTOS DE OUTROS PADRES

OS DESAFIOS DA IGREJA

   Após promover a partilha do pão que saciou a multidão Jesus se retira para a montanha para rezar, enquanto os discípulos entram na barca e navegam para o outro lado da margem. Nessa travessia, vento põe em risco a barca. Já de madrugada, Jesus aparece aos seus caminhando sobre o mar. Os discípulos são incapazes de reconhecê-lo e se assustam, pensando ver um fantasma. Pedro tenta ir ao encontro do Mestre, quer se comparar a ele, mas mas logo sente o vento contrário e o mar agitado e se apavora, recebendo uma reprimenda de Jesus pela falta de fé.
  Essa cena do evangelho mostra a situação de fraqueza e falta de fé das comunidades, que se sentem ameaçadas pelas ondas adversas no final do primeiro século. Deus, porém, não abandona as comunidades e lhes estende a mão para que tenham certeza da sua presença da sua presença. Coragem, diz-lhes o Mestre, não tenham medo, sou eu.
  A Igreja é convidada a fazer a travessia do mar e não ficar fechada  em si mesma por medo de enfrentar as adversidades da caminhada. Na outra margem do lago há necessidade da missão. A travessia é sempre perigosa e pode amedrontar, mas é necessária para enfrentar os desafios do século 21. Os medos são os piores inimigos de seguimento de Jesus
  As ondas contrárias ao projeto de Jesus são muitas e perigosas; a Igreja não pode se acomodar, fazendo de conta que não tem nada com isso. A ordem de Jesus e categórica: Entrem na barca e atravessem o mar. Hoje também estamos numa travessia difícil, rumo a uma nova maneira de ser Igreja: "em saída", como propõe o Papa Francisco. Exige-se dela coragem e muita confiança para não afundar nas águas do mar.
  Na reação dos discípulos ("é um fantasma") será que se pode ver o juízo da sociedade atual a respeito da Igreja, um "fantasma estrelado"? Muitas vezes mostramos incapazes de sentir a mão estendida de Jesus que nos segura e dá confiança. O Papa Francisco aponta-nos o caminho: sair para as periferias sociais e geográficas.
     Padre Nilo Luza

TEXTO DE OUTRO PADRE

LUZ DE DEUS
  Em Jesus se manifesta a glória divina, resplandecente  de luz, acompanhada pelas nuvens e pela voz que deixa claro: este é o Filho amado pelo Pai.
  Os detalhes da cena fazem pensar em Moisés, que voltava do monte Sinai com o rosto resplandecente por ter estado na presença de Deus. A luz intensa que brilha no rosto e nas vestes de Jesus, ao invés, não vem de fora. Vem dele mesmo, pois aquele Mestre que vivia no meio de gente pobre, nas periferias, é ele próprio o Senhor da história. Não se manifesta glorioso na capital de Jerusalém a uma multidão de pessoas, mas numa montanha qualquer a três discípulos.
  A transfiguração foi  uma antecipação, momentânea, da glória do Senhor. Uma experiência sem igual, tanto que Pedro sugere armar tendas para continuar ali. O Senhor glorioso, porém, deverá antes entregar a própria vida, passando pelo sofrimento e pela morte. Pois o Senhor da glória é o servo sofredor.
  Para os três discípulos e para nós permanecem duas ordens. A primeira vem do Pai, para ouvir o Filho Amado. Ouvir é a atitude fundamental dos discípulos. Ouvir Jesus é atender o que disse e fez, para que seu ensinamento esteja vivo em nossa vida. A outra ordem vem do próprio Jesus, que toca nos discípulos e diz que se levantem e não tenham medo de enfrentar os desafios da realidade.
  O Senhor continua se revelando a nós. Ele se manifesta de muitos modos, reanima nossa fé, alimenta nossa esperança, faz-nos vencer o pecado da tristeza e confirma nossa missão realidades a transfigurar...
  "Com Pedro, Tiago e João subimos também nós hoje ao monte da Transfiguração e permanecemos em contemplação do rosto de Jesus, para assimilar sua mensagem e traduzi-la na nossa vida; porque também nos podemos ser transfigurados pelo Amor. Na realidade o amor é capaz de transfigurar tudo. O amor transfigura tudo! Vocês acreditam nisso?" (Papa Francisco, Ângelus, 01/03/2015).
      Padre Paulo Bazaglia