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sexta-feira, 12 de maio de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

A FONTE DE ÁGUA VIVA
  Jesus, cansado da viagem, senta à beira do poço. Ao chegar uma mulher para buscar água, o Senhor pede que ela lhe dê de beber. Aí em volta do poço de Jacó, começa um belo diálogo entre o Mestre e samaritana. A conversa gira em torno da água, do conflito entre os judeus e samaritanos,dos maridos da mulher, da adoção a Deus e da verdadeira fonte de água viva. Diálogo rico e revelador, entre as duas personagens.
  A conversa se inicia por necessidade física: a sede. Jesus pede água à mulher, esta se admira que um judeu dirija tal pedido a uma mulher samaritana. Aos pucos e além do sentido natural, Jesus agregando à água outro sentido.
  O conflito entre judeus e samaritanos era antigo. Vinha desde séculos passados, quando os samaritanos adotaram as divindades introduzidas pelos povos estrangeiros que invadiram o Reino do Norte.
  A questão dos maridos da mulher do diálogo, entrando agora pela família da samaritana: seus cinco maridos. Segundo os estudiosos, provavelmente se referem ao número das divindades cultuadas pelos samaritanos.
  Onde é o lugar de adorar a Deus? Os judeus adoravam no templo de Jerusalém, os samaritanos, no templo de Garizim. Jesus esclarece que a adoração agradável a Deus não se limita a templos e lugares predeterminados, mas nasce do interior do ser humano ao longo da vida, independentemente de templo e lugar. "Os verdadeiros adoradores adoram o Pai em espírito e verdade."
  Jesus é a verdadeira fonte. A conversa ingressa no tema messianismo, momento que o Mestre se apresente como o "Messias", fonte donde jorra água viva e para vida. Ele se revela justamente a uma mulher excluída e marginalizada. 
  Quando os discípulos chegam, a mulher larga o balde e vai anunciar aos seus conterrâneos que encontrou o Cristo. Ela já não tem necessidade da água do poço de Jacó (no contexto a, lei mosaica), pois descobriu a verdadeira fonte que sacia a sede profunda do ser humano - Jesus Nazareno - e assim se torna a primeira missionária dos samaritanos. 
   Padre Nilo Luza

terça-feira, 9 de maio de 2017

TEXTO DE OUTRO PADRE

JESUS PASTOR E PORTA
  No evangelho de hoje proclamado, Jesus se apresenta ao mesmo tempo como Pastor e Porta.
  E dura a critica de Jesus às lideranças do tempo. Em vez de servir ao povo, abrindo-lhe perspectivas de vida, ele o haviam aprisionado em instituições políticas e religiosas que serviam sobre tudo para manter os próprios privilégios. Para Jesus, líderes assim nunca foram e nunca serão pastores, mas apenas "ladrões e assaltantes", que vêm para "roubar, matar e destruir". Ele mesmo diz, aliás: "todos os que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes". Pois, ao procurar somente os próprios interesses, fracassaram na missão de conduzir o povo pelos caminhos da vida que Deus deseja.
  É um alerta contra todo exercício de poder de quem busca os próprios interesses à custa do sofrimento do povo. Alerta válido para todos, mas sobretudo para autoridades civis e religiosas, cujo poder só pode ser exercido genuinamente com serviço de defesa e promoção do bem comum. E o bem comum, nós o sabemos, requer dedicação especial aos mais pobres.
  Daí Jesus se apresenta como o Pastor autêntico, aquele que o Pai envia para cuidar das ovelhas, o povo querido de Deus. Pois, diferente dos que roubam e usam o povo, Jesus vem para servir e dar vida, chamando pelo nome, superando todo anonimato. Ele se deixa conhecer, para que aqueles que são seus não sejam enganados por líderes perversos.
  Jesus nos impulsiona a viver revelações verdadeiras e sinceras, que nos formam como cristãos comprometidos na comunidade. Pois a comunidade não é um amontoado de anônimos, mas comunhão de gente que se conhece, se respeita e ajuda e se lança além de si mesma. O anonimato abafa a voz do único Pastor e deixa as comunidades de fé entregues a tantas outras vozes. 
  Jesus também se apresenta como Porta para as ovelhas. Ele é a passagem para os que desejam a liberdade de encontrar pastagens de vida abundante. Como dirá mais adiante no evangelho, ele mesmo é "o caminho a verdade e vida", ou "o verdadeiro caminho para vida".
     Padre Paulo Bazaglia 

TEXTO DE OUTRO PADRE

A PRESENÇA DO RESSUSCITADO
  No primeiro dia da semana, Maria Madalena madrugada para ir ao túmulo onde o corpo de Jesus estava foi depositado. Lá vê que a pedra da entrada foi removida e o corpo não se encontrava no sepulcro. Assustada, corre para anunciar aos discípulos que alguém teria levado o corpo do Senhor. Ela ainda não entende o que aconteceu e, sem o Mestre, se sente perdida e desconcertada. 
  Sem sucesso, ela buscou Jesus entre os mortos, mas lá já não é o lugar dele. Nossa catequese talvez não seja suficiente para despertar nossa fé no Ressuscitado e, por isso o buscamos em lugares inadequados, movidos por uma religião fria e calculista, fundamentada no cumprimento rigoroso de leis e normas. O Ressuscitado se encontra lá onde se vive segundo o Espírito Santo, onde se espalha amor, solidariedade e alegria.
  Deus é amigo da vida, por isso ressuscita seu Filho, libertando-o das trevas da morte. Deus é Pai que deseja vida plena para todos seus filhos e filhas. Como discípulos e discípulas de, temos o compromisso de levar a vida onde a sinais de morte. Deus está ao lado de Jesus crucificado e dos crucificados do mundo de hoje, não do lado dos crucificadores.
  Os discípulos, avisados por Maria, vão ao túmulo verificar e constatam a exatidão do relato da mulher. Pela posição das faixas e do pano, concluem que não houve roubo de cadáver. O outro discípulo, o que acreditou no amor de Deus, "vê e acredita" que Jesus já não é prisioneiro das mortalhas; sua intuição é fruto do amor. Quem ama sempre chega primeiro e vê além das aparências.
  As três personagem da cena representam a comunidade que tem dificuldade de acreditar no Ressuscitado e aderir a ele, de dar o salto de qualidade para passar da dúvida à fé. A comunidade sem fé é incapaz de reconhecer a presença do Senhor e não consegue assumir o compromisso do testemunho.Deixemos que a aurora deste novo dia nos inunde da luz do Ressuscitado. 
Padre Nilo Luza